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In Eros

Postado em: 30-10-2009 | Por: Leila Brito | Categorias: Literatura

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Mulher-Nua2

entre as pernas da mulher
sinta a maciez do cetim
o gosto da carambola
o perfume do alecrim
veja a nascente do rio
e a ramagem do capim
ouça o rumor da água
e o canto do flautim.

entre as pernas da mulher
no matiz da cor carmim
sinta o prelúdio do tempo
pulsando momento sem fim
o corpo planando delícias
nas asas de um querubim
veja o mistério escondido
no olhar de um manequim
ouça as vozes do desejo
premeditando um motim.

entre as pernas da mulher
minando lava de marfim
o fogo queimando a espera
da paixão que pulsa em mim.

LEILA BRITO

Ilustração:
Autor desconhecido desta poeta.

Referência:
BRITO, Leila. Launim. Belo Horizonte: LetraporLetra, 2010, p. 31. No prelo.

Alma Gêmea (sua?)

Postado em: 25-10-2009 | Por: Leila Brito | Categorias: Literatura

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Casal-Sublime

todas as palavras são ilusórias
quando encobrem o virtual.
há que revesti-las da verdade
para desnudar o real.

alma gêmea é sinônimo do igual
que intensifica o ser de cada ser.
o igual que integra dois seres
numa interação recíproca espontânea.
é sentido de completude de um ser
na idêntica configuração de outro ser.
é afirmação de um ser no outro ser: par-perfeito.

se gêmeas são,
há que ser análogas, e não, opostas.
se gêmeas são,
há que ser espelho que reflete a mesma imagem,
em diáfana simetria linear.

e sendo gêmea-alma que se oculta,
há que transmutar o plano virtual e se fazer real
no sentimento de erōs
– que ama aquele que lhe falta,
e cuja ausência é desatino em dor.
e sendo gêmea-alma que se revela,
há que transmutar a aridez fria da solidão
em  ardente despetalar da flor.
e sendo gêmea-alma que se perdeu,
há que transmutar a saudade da espera
e me encontrar no seio do mais lascivo
e mais puro amor.

LEILA BRITO

Ilustração:
Autor desconhecido desta poeta.

Referência:
BRITO, Leila. Launim. Belo Horizonte: LetraporLetra, 2010, p. 43. No prelo.

 

Vênus, Joana ou Leila?

Postado em: 23-10-2009 | Por: Leila Brito | Categorias: Literatura

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 MulherColorV

Vênus de Milo altiva
doidivana e bela diva
quero muito te esquecer
musa na minha poesia
por um véu em tua face
deusa do mais puro amor
ocultando o teu brilho
estrela intensa e fugaz.

MulherColorIII

Joana D’arc aguerrida
nobre virgem decidida
quero muito te erguer
santa no meu sacro altar
por bainha em tua espada
justiceira da verdade
anulando o teu furor
 guerreira afoita e audaz.

Mulher-Nua (Color)

Leila Diniz libertária
dama revolucionária
quero muito te manter
Eva no meu paraíso
por coleira em teu pescoço
amante da liberdade
prendendo a tua malícia
mulher envolvente e sagaz.

MulherColorIV

Durmo com Leila
acordo com Joana
sonho com Vênus…
Segura de si e do que sente
terna e misteriosa
sensual e amorosa
febril e voluptuosa
espontânea e fogosa
sensível e graciosa
romântica e dengosa
emotiva e calorosa
sonhadora e carinhosa.

 Contemplo Vênus
desejo Leila
temo Joana…
Segura de si e do que faz
confiante e corajosa
atrevida e perigosa
incontida e audaciosa
intrépida e valorosa
vibrante e ansiosa
otimista e esperançosa
doadora e generosa
combatida e virtuosa.

 Venero Joana
cultuo Vênus
amo Leila…
Segura de si e do que sabe
sutil e capciosa
criativa e engenhosa
anárquica e impetuosa
verdadeira e respeitosa
inteligente e habilidosa
realista e espantosa 
feliz e dadivosa
rebelde e poderosa.

CasalNu(ColorII)

Se Vênus, Joana ou Leila
se Estrela, Guerreira ou Mulher
segura de si e do que quer
a doce, a forte, a sedutora
quero todas para mim
Vênus na minha poesia
Joana no meu sacro altar
Leila no meu paraíso
quero todas para AMAR. 

LEILA BRITO

Ilustrações:
Autores desconhecidos desta poeta.

Referência:
BRITO, Leila. Launim. Belo Horizonte: Letra por Letra, 2010, p. 33. No prelo.

Vídeo da Semana

Postado em: 22-10-2009 | Por: Leila Brito | Categorias: Música, Vídeos

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ArthurRezende2-l_60547f7cc12ae58cd96f9cffddda579b

O baterista ARTHUR REZENDE é um dos mais prestigiados nomes da nova geração de músicos mineiros. Premiado no concurso “Jovem Instrumentista” do BDMG Cultural (2003) e no I Festival Odery & Modern Drummer (2007) como Maior Baterista de Minas Gerais, foi acolhido com distinção profissional por grandes compositores e instrumentistas do Clube da Esquina, como Toninho Horta, Beto Guedes e Flavio Venturini, com quem divide o palco em eventos de repercussão nacional. Da nova safra de músicos, compositores e cantores mineiros, participa do trabalho de Vander Lee, Kadu Vianna, Júlia Ribas, Pedro Morais, Patrícia Amaral, Marina Machado, Regina Souza e Alda Rezende.

Neste vídeo, Arthur Rezende executa um competente solo de bateria em “Flor de Minas”, do compositor Lô Borges, durante o show “Dentro” do cantor e compositor Kadu Vianna, realizado em 27/28 MAR 2009, em Belo Horizonte, com participação especial da cantora Marina Machado e do compositor Flávio Henrique.

Sugiro ao leitor fazer uma pausa entre um e outro texto, assistindo a este belo e emocionante espetáculo de música instrumental: http://www.youtube.com/watch?v=vKee1clBiYU

LEILA BRITO
Belo Horizonte, 22 OUT 2009.

A Liberdade em Eros

Postado em: 19-10-2009 | Por: Leila Brito | Categorias: Filosofia

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 ErosePsique2

A Liberdade em Eros

“O que fazemos por amor sempre se consuma além do bem e do mal”, disse Nietzsche. “O que fazemos por coerção”, escreve Kant, “não o fazemos por amor”.  E Comte-Sponville sintentiza, “isto se inverte: o que fazemos por amor não fazemos por coerção, nem, portanto, por dever”. Assim, concluo eu: O AMOR É LIBERDADE.

Este pode ser um fundamento seguro para um discurso da liberdade em Eros, o qual, segundo inspiração de Sócrates à definição de Platão em O Banquete, “ama aquilo que lhe falta”. E porque “todo amor é amor a alguma coisa que ele deseja e que lhe falta”, Sócrates infere que “O amor não é completude, mas incompletude. Não fusão, mas busca. Não perfeição plena, mas pobreza devoradora”. E o filósofo conclui: “O amor é desejo, e o desejo é falta”. Sendo assim, “só há desejo se a falta é percebida como tal, vivida como tal”.

Sim! Pois não se pode desejar o que não se sabe que falta. Estar apaixonado, portanto, é desejar o outro que não se tem. Assim, todo amor em Eros é desejo: o desejo determinado de certo corpo, quando esse corpo faz falta. O amor em Eros, compreende Platão, “ama aquilo que lhe falta e que não possui”. Plotino resume essa filosofia: “O amor é como um desejo que, por sua própria natureza, seria privado do que deseja, e permanece privado, mesmo quando alcança seu objetivo”, que é a posse do corpo desejado. Assim, conclui Comte-Sponville: “uma falta, ao ser satisfeita, desaparece enquanto falta: a paixão não poderia sobreviver por muito tempo à felicidade, nem a felicidade, sem dúvida, à paixão”. Nisto reside o grande sofrimento do amor, quando a falta domina. E a felicidade suprema, quando a falta é saciada. Porém, quando não é, a alma se angustia em espera aflita.

Esse entendimento é precioso, pois se o amor é falta, sua lógica é sempre tender mais e mais para o que falta, para o que falta cada vez mais, para o que falta absolutamente. Porém, muitas vezes, o que falta não é amor, mas prazer sexual. Isto explica o comportamento de muitas pessoas que buscam o amor muito mais pela falta do sexo, do que, propriamente, pela falta de Eros. “Estar apaixonado é outra coisa, e mais, do que estar em estado de frustração ou de excitação sexual”, elucida Comte-Sponville. Outras, mesmo desejando Eros, inconscientemente o rejeitam, por medo do sofrimento a ele inerente, e buscam o atalho da excitação e prazer sexual para compensar a carência afetiva.

Esses pontos podem concentrar e explicar a dificuldade dessas pessoas em se direcionar para um foco definido em sua procura, em mirar exclusivamente um determinado alguém, perdendo-se do rumo certo de sua busca, desnorteando-se de seu objetivo, quando esse objetivo é o encontro de Eros. Pode ser esta a razão porque acabam por confundir liberdade com promiscuidade. Mesmo que tal promiscuidade não seja sexual, mas uma promiscuidade afetiva, do ponto de vista emocional, fazendo com que se percam de Eros, ao se lançar num círculo vicioso de insatisfação permanente, escravizando-se a uma ânsia insaciável por novos encontros, sempre desejando conhecer mais e mais pessoas, de forma incontrolada, e assim, se aprisionar numa busca desnorteada de rumos. Tão desnorteada, que isso as impede de identificar o amor quando o encontra; de identificar o verdadeiro Eros – que ama a pessoa especial que falta encontrar, mas que, encontrada, não é reconhecida. Nesse processo reside, pois, o perigo de se confundir liberdade com abertura para a promiscuidade, o que, nada mais é, que a prática da libertinagem.

Quando a liberdade é confundida com libertinagem, Eros se distancia. Quando a liberdade é confundida com egoísmo, Eros se ausenta. Quando a liberdade é confundida com manipulação, Eros se desilude. Por que? Porque a liberdade só é autêntica em Eros, quando partilhada. Assim, é necessário saber viver a própria liberdade sem inibir a liberdade do outro. Quando uma pessoa vive a liberdade em relação ao outro, mas impede o outro de viver sua liberdade em relação a ela, também acontece uma situação de falsa liberdade. Na verdade, o que essa pessoa está a viver não é uma liberdade, mas uma suposta liberdade, uma pseudoliberdade, uma vez que não partilhada com o outro; ou seja, vive sua “liberdade” aprisionando o outro na impossibilidade de se sentir livre para viver, com ela, a própria liberdade. Eu pergunto: que liberdade é esta, se apoiada na prisão do outro? Deixar o outro livre é deixá-lo solto para buscar outras pessoas, mas incluindo nossa pessoa nesse espaço de busca; assim, deixar o outro livre para buscar os outros nos obriga a deixá-lo também livre para nos buscar. Impedir o acesso a nós é castrar sua liberdade.

A liberdade não aceita impedimento de espécie alguma; não aceita a metade de seu termo; exige plenitude em si mesma. Portanto, para ser verdadeiramente livre, a liberdade imprescinde de compartilhamento, exige reciprocidade de partilha. Somente assim é efetivamente livre. Somente assim é LIBERDADE.

E somente ao viver uma liberdade autêntica, Eros se manifesta em sua plenitude total; em sua beleza sublime; em sua essência absoluta.        

LEILA BRITO
Belo Horizonte, 02 ABR 2006.

Ilustração:
Psyché et l’Amour - François Gerard  (1798) – óleo sobre tela.

Referência:
BRITO, Leila. A Liberdade em Eros. Folha de Nova Lima, Nova Lima, 31 ago. 2007. Caderno Cultura, p. 5.

Mulher Sereia

Postado em: 17-10-2009 | Por: Leila Brito | Categorias: Literatura

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mulhersereia3
Joguei no mar
as sandálias
que me impediam
de caminhar na areia.

Soltei no ar
as ilusões
que me vedavam as veias.

Deixei no cais
a verdade
que me prendia em teias.

Lancei-me nua
no infinito das águas
despojada de sonhos
Mulher Sereia.

LEILA BRITO

Ilustração:
Aquarela de Floricena Rezende (4 jul. 1990).

Referência:
BRITO, Leila. Mulher sereia. Mulher Sereia. Belo Horizonte: LetraporLetra, 2007. p. 49.

O problema do mundo na visão de Bertrand Russell

Postado em: 15-10-2009 | Por: Leila Brito | Categorias: Filosofia

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“Todo o problema do mundo é que os tolos e os fanáticos estão cheios de certezas, e as pessoas mais sábias estão cheias de dúvidas” (BERTRAND RUSSELL).

Ao inglês Bertrand Russel, reconhecido como um dos mais influentes matemáticos, filósofos e lógicos do século XX, é atribuído o mérito de popularizar a Filosofia, até então, restrita a círculos fechados da elite cultural. Respeitado como uma espécie de profeta da vida racional e da criatividade, exerceu grande fascínio sobre o público. E é com sutil inteligência que Russell conceitua, com essas palavras, que o senso crítico faz a diferença entre as pessoas, atestando a relevância da dúvida como fundamento da sabedoria. Assim, o filósofo atribui “todo o problema do mundo” ao antagonismo entre certeza e dúvida, dispostos por ele em uma espécie de campo de batalha.

Analisar tal conceito à luz da realidade existencial do homem contemporâneo, requer um exame crítico de fatores sócio-culturais dominantes como a religião e a política, onde tal oposição é facilmente identificada. No campo religioso, por exemplo, a exteriorização do fanatismo é a mais indiscutível confirmação da predominância da certeza sobre a dúvida e, portanto, da tolice sobre a sabedoria. Cultuando a fé como certeza, todas as religiões, sem exceção, aceitam, inquestionavelmente, a ideia da existência de deus e, com base nessa crença, transformam dogmas em verdades absolutas. O fanatismo próprio dos tolos se confirma no acirrado combate discriminatório ao ateísmo, com os crentes se posicionando como donos da verdade, não admitindo, sequer, o direito do ateu ao livre pensamento. No campo político, a mesma supremacia da tolice sobre a sabedoria pode ser constatada pelo entendimento deturpado das ideologias como verdades absolutas. Assim, aqueles que as questionam, que conseguem enxergar suas falhas, não são compreendidos por seus fanáticos seguidores.

Desta forma, o propósito de Russell é demonstrar que, como o campo das ideias está divido em dois pólos antagônicos, o problema central do mundo reside na disputa eterna que tal oposição provoca. De fato, por estarem convictos da certeza de suas ideias, ou seja, das ideias culturalmente dominantes, os tolos e fanáticos jamais se tornarão sábios, motivo pelo qual nunca se entenderão com estes que, por sua vez, alcançaram a sabedoria exatamente por duvidarem das próprias ideias e, por esta razão, das ideias dominantes. E como para o filósofo “aquilo que os homens, de fato, querem não é o conhecimento, mas a certeza”, atestando que o grupo dos tolos e fanáticos será sempre predominante, tem-se que a sabedoria é virtude de poucos.

LEILA BRITO
Belo Horizonte, 18 SET 2009.

Referência:
BRITO, Leila. O problema do mundo na visão de Bertrand Russell. Chá.com Letras. Belo Horizonte, 18 set. 2009. Disponível em: www.chacomletras.com.br. Acesso em: dia mês ano (ex.: 16 out. 2009).

Navegue no Chá.com Letras

Postado em: 13-10-2009 | Por: Leila Brito | Categorias: Filosofia, Fotos, Literatura, Música, Política, Vídeos

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Com formato de website, este blog apresenta, em sua página principal, além dos post’s, pequena mostra de fotos de viagem e um vídeo de música, e em sua estrutura de apoio, cinco links com conteúdos direcionados aos temas-chave: Literatura, Filosofia e Música.

No link “Leila Brito”, o leitor ficará conhecendo um pouco da história de vida e das realizações desta artista das Letras e da Música. No link “Autoral”, conhecerá as publicações da escritora, poeta e memorialista. No link “Literagindo”, tomará contato com o trabalho da professora de Filosofia e Letras (Técnica de Literatura e Técnica de Redação), que disponibiliza inicialmente, a quem possa interessar, um “Mini-Curso de Técnica de Literatura” (composto de 5 aulas) – vale a pena conferir. Já no link “Divulgação”, terá notícia de concursos de Literatura de âmbito nacional e estadual, shows musicais e eventos filosóficos. E no link “Contatos”, além de poder escrever-me, o leitor tomará conhecimento de meus endereços e telefones de contato.

Grata pela distinção e pela participação.

Leila Brito

Bem-vindo ao Chá.com Letras

Postado em: 10-10-2009 | Por: Leila Brito | Categorias: Filosofia, Fotos, Literatura, Música, Vídeos

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A LITERATURA é a manifestação artística que tem a palavra como matéria-prima. Como a palavra é dotada do poder de romper os limites de sua significação objetiva (abri a porta do quarto), para alcançar a liberdade de uma significação subjetiva (abri a “porta” do “coração”), ela é capaz de possibilitar codificações infinitas que retratem, de maneira criativa, a percepção da realidade que nos cerca. Assim, a criação do “código literário” (metafórico) implica na identificação, pelo escritor (ou poeta), do sentido subjetivo de cada palavra escolhida para estruturar suas idéias por meio de signos e ritmos intransferíveis.

Dotado de uma percepção aguda, o escritor (ou poeta) capta a realidade através de seus sentidos e sentimentos e, a partir dessa conexão sensível, explora as possibilidades linguísticas em seus aspectos morfológico, sintático, fonético e semântico, com o propósito consciente de transportar tal realidade para o plano imaginário (delirante) – um processo criativo, porém, de composição (elaboração) essencialmente técnica, pois pautado em experimentos com o sentido subjetivo da palavra, visando a criação metafórica. Trata-se, pois, de um laboratório de palavras. Portanto, embora inspirada em elementos reais e composta pelo uso da técnica de codificação, a obra do escritor ou poeta é fruto da sua imaginação.

Independente do gênero: poesia (verso ou prosa), conto, crônica ou romance, toda obra literária é sempre uma codificação da realidade a ser decodificada pelo leitor, segundo seus sentidos, sentimentos e visão de mundo. Assim, tanto quanto a codificação, a decodificação é um processo pessoal e intransferível e, consequentemente, motivador de infinitas interpretações de um mesmo verso ou de uma mesma prosa. Por isso, a cada decodificação, a obra literária é recriada pelo leitor. Obra escrita que não permite o processo de decodificação não é, portanto, obra literária, e, por extensão, não é obra de arte.

Concluiu-se, pois, que o grande mérito da Arte está em permitir a quem lê (Literatura), ouve (Música), vê (Artes Plásticas) e assiste (Teatro e Dança), uma conexão de seu mundo interior com o mundo exterior. E é isto que a obra literária proporciona no plano da imaginação, advindo desse processo o reconhecimento da Literatura como “arte-maior”, primordial ao desenvolvimento intelectual do homem.

Interagindo intrinsecamente com a Literatura, pois presente na criação literária em sonoridade, silêncio e ritmo, a MÚSICA, em grego μουσική τέχνη, o mesmo que “arte das musas”, é considerada a “arte-sublime”, tanto pelo êxtase que proporciona quanto pela significação cultural, motivo pelo qual a história da Música se confunde com a história da Humanidade. A combinação “letra e música” nos permite sentir a magnitude simbólico-cultural dessas duas formas de expressão artística mais exploradas em todo o mundo.

Marcada por forte interação com a Literatura tanto no plano filológico como metafórico (destaque para Nietszche – filósofo, filólogo e literato), a FILOSOFIA (do grego Φιλοσοφία: philos = que ama + sophia = sabedoria), conjunto de toda ciência, conhecimento ou saber racional, é denominada “ciência-mãe”, por ter gerado e gestado as demais ciências humanas, exatas e biológicas. Por permitir o estudo crítico-reflexivo-especulativo, portanto racional, dos princípios que fundamentam o comportamento do homem no mundo, o conhecimento filosófico é imprescindível ao desenvolvimento do senso crítico que permite o aprofundamento da visão objetiva, por sua vez, uma consequência natural da expansão da intelectualidade.

Ao inaugurar este espaço dedicado à Literatura, Filosofia e Música, submeto-me, com este texto inaugural, ao meu desejo imediato de repartir com você, meu caro leitor, um pouco dos meus (e de outros autores) conhecimentos e criações na “arte-maior”, na “ciência-mãe” e na “arte-sublime”, de forma a motivá-lo à leitura de poemas, contos, crônicas, ensaios e artigos, ao estudo da composição e revisão de textos, e ao prazer de ver vídeos e fotos publicados neste espaço literário-filosófico-musical.

LEILA BRITO
Belo Horizonte, 2 OUT 2009

Referência:
BRITO, Leila. Bem-vindo ao Chá.com Letras. Chá.com Letras, Belo Horizonte, 2 ago. 2009. Disponível em: <www.chacomletras.com.br>. Acesso em: dia mês ano (ex.: 2 out. 2009)