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	<title>Chá.com Letras</title>
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	<description>Literatura – Filosofia – Música</description>
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		<title>Indulto</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Apr 2012 05:45:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leila Brito</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[
EUCLIDIANO
De ti
recordo o roçar inquieto
dos trigais amarelos
as gotas da chuva de verão
brilhando ao sol
os tons felizes do arco-íris
fazendo festa no céu
o salto da estrela cadente
riscando o espaço
o porte majestoso do girassol.
De ti
guardo o olhar ardente
de uma ondulante labareda
o riso em cascata
de água cristalina
as mãos esquecidas
no gesto de adeus.
De ti
ficou o clarão
o facho de luz
de um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><strong><img class="aligncenter size-medium wp-image-2179" title="550w_gayspy_steven_strait_4_1" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/550w_gayspy_steven_strait_4_1-186x300.jpg" alt="550w_gayspy_steven_strait_4_1" width="186" height="300" /><br />
EUCLIDIANO</strong></p>
<p align="center">De ti<br />
recordo o roçar inquieto<br />
dos trigais amarelos<br />
as gotas da chuva de verão<br />
brilhando ao sol<br />
os tons felizes do arco-íris<br />
fazendo festa no céu<br />
o salto da estrela cadente<br />
riscando o espaço<br />
o porte majestoso do girassol.</p>
<p align="center">De ti<br />
guardo o olhar ardente<br />
de uma ondulante labareda<br />
o riso em cascata<br />
de água cristalina<br />
as mãos esquecidas<br />
no gesto de adeus.</p>
<p align="center">De ti<br />
ficou o clarão<br />
o facho de luz<br />
de um farol<br />
iluminando os rumos<br />
dos caminhos meus.</p>
<p align="center"><strong>LEILA BRITO</strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong>Referência:</strong><br />
BRITO, Leila. Euclidiano. <em>Mulher Sereia</em>. Belo Horizonte: LetraporLetra, 2007, p. 50.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Ilustração:<br />
</strong>Photo by Phil Caruso – © 2009 City Island, Inc. All Rights Reserved. Disponível em: &lt;http://www.imdb.com/media/rm3662843648/nm1711829&gt;<br />
Ator Steven Strait, em cena no filme<em> City Island,</em> do diretor Raymond De Felitta.</p>
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		<title>Crônica de Viagem (V)</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Mar 2012 14:03:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leila Brito</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
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		<description><![CDATA[
 Ao fundo à esquerda, Sylvester Stallone adentra o salão

No tête-à-tête parisiense – encontrando Rambo no Musée du Louvre
LEILA BRITO
O imperioso apelo de conter, nos limites da Place Charles de Gaulle, a euforia que ameaça esvoaçar meus sentidos tão logo desembarco na Avenue de la Grande Armée e me extasio com a imponência do Arc de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center">
<p align="center"><strong><img class="aligncenter size-medium wp-image-2108" title="Photos-PARIS-25a26.07.2008 614" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/Photos-PARIS-25a26.07.2008-614-300x225.jpg" alt="Photos-PARIS-25a26.07.2008 614" width="300" height="225" /></strong> Ao fundo à esquerda, Sylvester Stallone adentra o salão<br />
<strong><br />
No tête-à-tête parisiense – encontrando Rambo no Musée du Louvre</strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong>LEILA BRITO</strong></p>
<p>O imperioso apelo de conter, nos limites da Place Charles de Gaulle, a euforia que ameaça esvoaçar meus sentidos tão logo desembarco na Avenue de la Grande Armée e me extasio com a imponência do Arc de Triomphe, prenuncia o tom da minha breve estada em Paris, que me acolhe familiarmente com um letreiro do Banco do Brasil identificando sua agência na Rue de Tilsitt. Na esquina, o Cafe Le Cristal sacia meu paladar e minha fome, enquanto o mapa da cidade exposto no canteiro central da avenida atiça a minha curiosidade.  O tempo frio, apesar do verão, apresenta-me uma Paris acinzentada por compactas nuvens que acentuam sua atmosfera nostálgica.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2119" title="Photos-PARIS-25a26.07.2008 098" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/Photos-PARIS-25a26.07.2008-098-300x225.jpg" alt="Photos-PARIS-25a26.07.2008 098" width="300" height="225" /></p>
<p style="text-align: left;">Intuitivamente, depois de visitar o exuberante monumento, adentrando-o pela passagem subterrânea de pedestres que me conduz a uma sofisticada galeria, opto por um passeio panorâmico num batobus da L’Open Tour, cujo trajeto turístico além de apresentar-me o centro histórico da cidade, leva-me à Tour Eiffel, de onde sigo para o Hotel Regina de Passy, na Rue de la Tour &#8211; n. 6, a um quarteirão da Place du Trocadéro, onde se ergue o Palais de Chaillot.</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-2109" title="Photos-PARIS-25a26.07.2008 438" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/Photos-PARIS-25a26.07.2008-438-300x225.jpg" alt="Photos-PARIS-25a26.07.2008 438" width="300" height="225" /></p>
<p>Ao instalar-me no hotel, decido prosseguir as visitas turísticas pela Cathédrale de Notre Dame, situada na Place du Parvis, na pequena Île de la Cité, cercada pelas águas do La Seine. Integrando-me rapidamente à paisagem, passo a tarde visitando a catedral, fotografando o local, curtindo o inusitado som que duas jovens cantoras americanas tiram de um violão e de um mini trompete, comprando souvenir na Notre Dame Cadeaux, jantando no Aux Tours de Notre Dame, até anoitecer e eu ser atraída pelo som do reggae que salta das margens do La Seine. Acomodando-me nas escadarias lotadas por um empolgado público turista, assisto a um animado show de uma banda de imigrantes sem prever o conturbado retorno ao hotel, porque depois de um tempo tentando um taxi na Place du Parvis, em frente à Prefecture de Police, sou levada a fazer um longo trajeto a pé, cruzando a Petit Pont e indo pela Saint Jacques até alcançar a Gay-Lussac onde, enfim, um atencioso motorista me conduz em segurança até o Regina de Passy, quando passa da meia noite. O cansaço, a falta de companhia e um inegável desinteresse impõem a renúncia ao Moulin Rouge.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2110" title="Photos-PARIS-25a26.07.2008 498" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/Photos-PARIS-25a26.07.2008-498-300x225.jpg" alt="Photos-PARIS-25a26.07.2008 498" width="300" height="225" /></p>
<p>Um luminoso jour suivant tira-me da cama mais cedo para uma caminhada do hotel até a Tour Eiffel, descendo pela Avenue des Nations Unies, de onde minha Canon logra uma bela tomada da torre, passando pela Place du Trocadéro, onde me encanto com um carrossel, e pela Pont D’Iéna, de onde fotografo o La Seine, seduzida pela voluptuosidade do fascínio de suas águas e da vida efervescendo em suas margens e flutuando em seus charmosos bateaux mouches. A colmeia de humanos que se forma embaixo da torre vira motivo de inspiração fotográfica, quando vejo uma noiva e seu séquito encaminhando-se para o local, deixando-me apenas alguns segundos para fotografar a cena, e em flagrante estado de frustação por não ter conseguido ver o seu rosto antes de ela ser engolida pelo enxame. Após um tempo perdido na compra de cartões postais, renuncio ao frenesi da levitação num dos minúsculos elevadores disputado pelos turistas e à estupenda visão da cidade de seu ponto mais alto, para atender ao mais ansiado programa da minha agenda: Musée du Louvre.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2128" title="Photos-PARIS-25a26.07.2008 533" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/Photos-PARIS-25a26.07.2008-533-300x225.jpg" alt="Photos-PARIS-25a26.07.2008 533" width="300" height="225" /></p>
<p>O prédio do Palais du Louvre que abriga o museu impressiona tanto por seu estilo medieval como por sua conformação arquitetônica. Acessando-o pela porta lateral dos fundos na Quai de Louvre, próxima ao ponto do batobus, adentro o “pequeno” Cour Carrée no Pavillon Sully, contíguo ao Cour Napoléon e suas pirâmides, onde um agitado vai-e-vem de turistas retrata a “invasão multicultural” citada pelo cronista Xisto Bueno, <em>“com cada um falando uma língua, mas todos se entendendo na alegria de estar naquela cidade bege”</em>, clima propício para os pedidos de clics fotográficos pelos turistas desacompanhados.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2111" title="Photos-PARIS-25a26.07.2008 558" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/Photos-PARIS-25a26.07.2008-558-225x300.jpg" alt="Photos-PARIS-25a26.07.2008 558" width="225" height="300" /></p>
<p>Inicio a visita pelo setor Histoire du Louvre – Louvre médiéval, e volto à ala Denon para orientar-me no acesso à Mona Lisa. Parando para admirar a decapitada Victoire de Samothrace no alto da escadaria, sigo para o cobiçado salão das Peintures Italiennes em busca da La Jaconde, mas o que me fascina, logo na entrada, é o seu teto dourado ornado por símbolos medievais e esculturas em mármore branco. Faço a tomada fotográfica, e em seguida me aproximo de uma grande tela do Da Vinci fixada no canto da parede lateral esquerda, e na sequência, andando de ré, afasto-me cuidadosamente com a intenção de conseguir focá-la por completo. Quando regulo a Canon e me preparo para o clic, ouço atrás de mim um vozerio se alastrando e crescendo em sonoridade, e ao olhar para trás assusto-me com a pequena multidão que, aglomerando-se às minhas costas com suas câmeras erguidas, grita histericamente: Stallone!!! Stallone!!! Stallone!!! Neste momento, vejo-me frente a frente com dois seguranças que passam a conter o exaltado grupo de fãs, enquanto o Rambo, ora de costas ora de perfil, a uns quatro metros de distância, admira o tal quadro do Da Vinci, acompanhado da esposa Jennifer Flavin, da filha Scarlet Rose e de funcionárias do museu. Passo a fotografá-lo com dificuldade, pois empurrada pelos meus iguais ávidos em conseguir a minha privilegiada visão do famoso astro do cinema, até a sua saída por uma porta à minha esquerda, quando, inesperadamente, ele se volta para o público e acena em despedida, e eu consigo um ansiado mas tremido close.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2112" title="Photos-PARIS-25a26.07.2008 616" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/Photos-PARIS-25a26.07.2008-616-300x225.jpg" alt="Photos-PARIS-25a26.07.2008 616" width="300" height="225" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2113" title="Photos-PARIS-25a26.07.2008 619" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/Photos-PARIS-25a26.07.2008-619-300x225.jpg" alt="Photos-PARIS-25a26.07.2008 619" width="300" height="225" /></p>
<p>O tempo para recompor-me do inusitado frenesi – convenhamos que não é sempre que somos surpreendidos num vis-à-vis com um ator americano – é o consumido na visita às obras expostas no grande salão, por onde adentro o corredor que me levará à grande dama de Da Vinci, deparando-me com as famosas telas deste que, sem dúvida, foi o maior pintor italiano de todos os tempos: <em>La Vierge à l’Enfant avec sainte Anne</em> [1508-1513], <em>Saint Jean Baptiste</em> [1510-1515] e <em>La Vierge aux rochers</em> [1499]. Mais uns passos e, finalmente, estou diante da <em>Gioconda</em> ou <em>La Jaconde</em>, ou ainda, <em>Mona Lisa del Giocondo</em> [1503-1507], tentando controlar a emoção que ameaça comprometer minha performance fotográfica. O incontido pranto é fruto da lembrança do saudoso irmão Britinho que, apaixonado pela famosa personagem, vivia a cantarolar a “Mona Lisa, Mona Lisa, Mona Lisa&#8230;” do Nat King Cole.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2114" title="Photos-PARIS-25a26.07.2008 653" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/Photos-PARIS-25a26.07.2008-653-300x225.jpg" alt="Photos-PARIS-25a26.07.2008 653" width="300" height="225" /></p>
<p>Após encantar-me com os pintores italianos, é hora de conferir o talento dos pintores da casa bem representados por obras como a <em>Les Sabines arretant le combat entre les Romains et les Sabins</em> [1799] e <em>Léonidan aux Thermoyles</em> [1814] de Jacques-Louis David, e<em> Mort de Sardanapale</em> [1827] e <em>Femmes d’Alger dans leur appartemen</em>t [1834] de Delacroix, e por último, a famosa tela Joana D&#8217;Arc<em> </em>(1855) de Jean-Auguste-Dominique Ingres, que retrata uma das minhas idolatradas musas: <em>Joana D’Arc aguerrida  / nobre virgem decidida / quero muito te erguer / santa no meu sacro altar  / por bainha em tua espada /  justiceira da verdade  / anulando o teu furor  / guerreira afoita e audaz</em>. Declamo mentalmente meus versos enquanto abstraio a força emanada da bela e impoluta combatente.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2115" title="Photos-PARIS-25a26.07.2008 708" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/Photos-PARIS-25a26.07.2008-708-300x225.jpg" alt="Photos-PARIS-25a26.07.2008 708" width="300" height="225" /></p>
<p>Seguindo as pegadas de outro desejo, chego ao setor Antiquités Grecques, onde acontece o ansiado encontro com outra inspiração poética: <em>Vênus de Milo altiva / doidivana e bela diva / quero muito te erguer / musa na minha poesia / por um véu em tua face / deusa do mais puro amor / ocultando o teu brilho / estrela intensa e fugaz. </em>Ei-la, a deusa do amor, que na sua versão grega é Afrodite, ou ainda, <em>Psyché ranimée par le baiser de l’Amour</em> para A. Canova, e que próxima a <em>Mercure enlevant Psyché </em>de Adrian de Vries, e ao <em>Captif  (l’Esclave mourant)</em> [1513-1515] de Michelangelo Buonarroti, intensificam o enlevo do meu breve tour pelo maior museu do mundo.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2118" title="Photos-PARIS-25a26.07.2008 769" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/Photos-PARIS-25a26.07.2008-769-300x225.jpg" alt="Photos-PARIS-25a26.07.2008 769" width="300" height="225" /></p>
<p>Passa das dezenove horas, quando, ainda no Cour Napoléon, depois de almoçar na galeria do Le Café Marly observando uma pequena família islâmica, saio pelo Pavillon Sully e, após cruzar com uma simpática violoncelista nas galerias do Cour Carrée, encontro a Place du Louvre com sua bela igreja Saint-Germain-l’Auxerrois e seu sonoro carillon. De lá sigo para a Place du Trocadéro onde, após horas de relax sentada na grama perto da fonte junto a mais de mil turistas de todos os continentes, assisto ao gradual fulgurar das luzes da Tour Eiffel sob o aplauso da deslumbrada plateia. Ao caminhar de volta ao Hotel Regina de Passy pela Avenue des Nations Unies, uma repousante sensação de insustentável leveza do ser neutraliza a lembrança de encontrar-me a poucas horas do fim do sonho.</p>
<p><strong>Referência:<br />
</strong>BRITO, Leila. No tête-à-tête parisiense – encontrando Rambo no Musée du Louvre. <em>Chá.com Letras</em>, 23 mar. 2012. Disponível em: &lt;www.chacomletras.com.br&gt;. Acesso em: dia [23] mês [mar.] ano [2012].</p>
<p><strong>Ilustrações:<br />
</strong>Fotos de Leila Brito (arquivo particular) &#8211; 25/26 jul. 2008.</p>
<p><strong>Citações poéticas:</strong><br />
BRITO, Leila. Vênus, Joana ou Leila? <em>Launim</em>. Belo Horizonte: LetraporLetra, 2012. No prelo.<br />
Publicado no <em>Chá.com Letras</em> &#8211; ver arquivo &#8220;October 2009&#8243;.</p>
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		<title>Rito post mortem</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Mar 2012 20:45:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leila Brito</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[ RÉQUIEM PARA EDILSON
LEILA BRITO
Hoje, 18 de março de 2012 (09:37), impossibilitada de estar presente aos seus últimos momentos entre nós, junto com sua adorável companheira de uma vida inteira – Milena, e seus amados filhos, netos, irmãos, sobrinhos, genros, noras, sua querida Tia Osmira e seus primos, expresso toda a minha tristeza pela sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><strong><img class="aligncenter size-medium wp-image-2086" title="scan0058" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/scan0058-300x216.jpg" alt="scan0058" width="300" height="216" /> RÉQUIEM PARA EDILSON</strong></p>
<p><strong>LEILA BRITO</strong></p>
<p>Hoje, 18 de março de 2012 (09:37), impossibilitada de estar presente aos seus últimos momentos entre nós, junto com sua adorável companheira de uma vida inteira – Milena, e seus amados filhos, netos, irmãos, sobrinhos, genros, noras, sua querida Tia Osmira e seus primos, expresso toda a minha tristeza pela sua intempestiva e prematura partida deste mundo que você soube transformar num expansivo arco-íris, não apenas para seus entes queridos, como também para os muitos cidadãos itabirenses premiados com seu trabalho de cunho social. Portanto, o fica de você Edilson, na vivência da sua maturidade, é o exemplo de uma rara sensibilidade que transcendeu objetivos pessoais para alcançar objetivos sociais.</p>
<p>Sem dúvida, tem-se, neste trabalho doador do político íntegro, a expressão da mesma sensibilidade que, na vivência da infância, fez de você um menino de sentidos tão aguçados que, aos olhos dos adultos, ameaçava desequilibrar a ordem vigente. E desequilibrava. Guiado por incontrolável desejo de revolucionar a injustiça de uma realidade educacional inquisitora, você desafiava os conceitos e preconceitos que os adultos tentavam impor-lhe, revelando, desde a mais tenra idade, a sua capacidade de antever o futuro, antenando-se com o que ainda estava por vir, pois antecipando-se no plano das ideias aparentemente loucas, e das ações aparentemente ainda mais loucas. Na verdade, ideias e ações simplesmente revolucionárias, ditadas por uma inteligência ímpar que, na idade adulta, forjou um perfil pessoal dotado de raro carisma, intensa energia e forte capacidade de ação.</p>
<p>A mesma energia e força capazes de provocar eventos aparentemente impossíveis, como o episódio presenciado por mim e alguns de meus irmãos em nossa casa, quando você, por volta dos treze/quatorze anos, desafiou o demônio a descer à terra e mostrar sua força, elevando uma foice no ar e em seguida baixando-a e raspando-a violentamente no cimento, enquanto invocava a besta-fera com um chamado aterrador, pois provocador de um inusitado raio que, num estrondo, desceu pelo espaço e cortou a cidade de ponta a ponta, fazendo o maior estrago. Surgido não sabemos de onde, pois o tempo estava ensolarado, o fato é que o diabo, transvestido em raio, além de danificar a subestação do Mingú e deixar Rio Acima no escuro, passou por debaixo das pernas da Comadre sua mãe, que estava estendendo roupas no varal, quase levando-a à morte – assim ela contou. Passado o susto, lembro-me de ter tido um pesadelo com o demônio, e de ficar com muito medo de você por causa da sua intimidade com ele, com quem dizia ter papos frequentes. Bastava chamá-lo e ele aparecia na beirada da sua cama durante a noite.</p>
<p>E surgiram também dessa poderosa energia revolucionadora de conceitos, as ações do estudante transgressor da rígida disciplina vigente no Ginásio Américo Renné Giannetti, ditada pela autoridade máxima do disciplinador Jair Marçal – expedicionário da Segunda Guerra Mundial, e pautada no rigor militar das filas milimetricamente alinhadas de alunos por turma, de orações feitas em retumbante voz uníssona e de um silêncio mortal durante a marcha até a sala de aula, onde deveria ser mantido. Desde o introduzir besouros na parte de trás das blusas das meninas para causar distúrbios no ritual comandado pelo disciplinador, passando pelo ato de fazer xixi nas plantas aquáticas alvo de experiências dos alunos do curso primário, para depois de um tempo desafiar a servente D. Adelaide a cheirá-las para provar que tinham apodrecido, e se deleitar com seu ataque de vômito, ao emparelhar-se com o professor de Música Tigesipo, fingindo ir até o quadro negro para perguntar algo sobre a pauta em discussão, só para provar ao primo Britinho que já estava mais alto que o pai dele, provocando risinhos nos colegas. E isto, sem deixar de mencionar as ofensivas adaptações de letras de marchas patrióticas, cantadas bem alto pelas ruas na saída das aulas, quando passava das dez da noite, tendo você por maestro da turma transgressora, sendo esta a marcha preferida: “Sonhei com a imagem tua, / mijei na cama e caguei na rua. / A bosta endureceu, / passou o carro e furou o pneu. / Levaram pra prefeitura, / examinaram, era bosta pura. / Prenderam-me em um xadrez, / por desaforo eu caguei outra vez”. E também as homéricas brigas com o primo Murilo, que dividiam os alunos em dois grupos: a turma do Edilson e a turma do Murilo, confrontos que costumavam findar na porta da casa da sua Tia Isabel que, entrando na peleja para defender o filho, inflamava ainda mais a turba.</p>
<p>Tanta disposição para cometer atos e liderar movimentos transgressores da ordem vigente não apenas o premiou com a fama de insubordinado como o castigou com as suas consequências nem sempre justas, mas que, quando injustas, você tirava de letra em retaliações vingativas ousadas e corajosas. Um bom exemplo é a derrubada do muro do lote do Agenor feita na calada da noite, depois de construído pelo Seu João Manco, que o acusou de ser o autor do crime. Depois de apanhar uma surra homérica do Tio João, para provar a inocência jurada enquanto o cinto açoitava seu corpo, você esperou o delator reconstruir o muro e o derrubou na frente dele, desafiando-o: “Agora, sim, vai lá e conta ao meu pai que eu derrubei o muro”. Dando-se por vencido, o constrangido pedreiro o construiu pela terceira vez.</p>
<p>Meu querido primo e amigo, são tantas as histórias que compõem sua memória de criança e adolescente, são tantos os fatos que se misturam à minha memória e a de nossos pais e irmãos, que neste instante em que você nos deixa para sempre [13:00], emocionalmente integrada à comovente cerimônia de despedida desse ser humano único que você se fez, que ora acontece na sua adorada Itabirito, eu me comovo às lágrimas ao expressar-lhe a minha gratidão pelas pegadas de sua singularidade e sensibilidade nas estradas de nossas vidas.</p>
<p>E o que se torna perceptível neste doloroso momento, amado Edilson, é a comprovação da consagrada filosofia do personagem Riobaldo de Guimarães Rosa, em “Grande sertão: veredas”: <em>Só as pessoas não morrem; tornam a ficar encantadas.</em><em> </em></p>
<p align="right"><strong>LEILA BRITO<br />
</strong>Belo Horizonte, 18 MAR 2012.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Referência:</strong><br />
BRITO, Leila. Réquiem para Edilson.<em> Chá.com Letras</em>. 18 mar. 2012. Disponível em: www.chacomletras.com.br . Acesso em: dia (18) mês (mar.) ano (2012).</p>
<p><strong>Ilustração:<br />
</strong>Foto do arquivo pessoal de João Alves de Brito. Data provável: 1949.<br />
Obs.: Edilson é o segundo menino à esquerda (usando suspensórios), na primeira fileira de crianças. Ao seu lado vê-se Matilde, tendo à sua direita Joãozinho, e ao lado dele a Marilda. Atrás do Joãozinho vê-se a Maria Augusta (Lia), e mais atrás sua irmã Aparecida ao lado de sua mãe Maria, que carrega nos braços a então caçula Rivalina (Lilica). Mais atrás, à esquerda, seu pai João de Brito (irmão de minha mãe).</p>
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		<title>E a Mulher se fez&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Mar 2012 00:36:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leila Brito</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
ARABÓIA
LEILA BRITO
Meu nome é Eva, como Eva é o nome de toda mulher que veio ao mundo depois da sua criação. E quem lhe fala é a mulher, e não a amante de uma noite.
Depois que nos afastamos, ficou a vontade enrustida de falar com você vis-à-vis; de tocar sua emoção. É claro que você [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><strong><img class="aligncenter size-medium wp-image-2058" title="pecado_original" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/pecado_original-232x300.png" alt="pecado_original" width="232" height="300" /><br />
ARABÓIA</strong></p>
<p><strong>LEILA BRITO</strong></p>
<p>Meu nome é Eva, como Eva é o nome de toda mulher que veio ao mundo depois da sua criação. E quem lhe fala é a mulher, e não a amante de uma noite.</p>
<p>Depois que nos afastamos, ficou a vontade enrustida de falar com você vis-à-vis; de tocar sua emoção. É claro que você tem sentimento pulsando no peito e na memória afetiva. Se não os tivesse, sua existência não teria sentido algum de ser vivida e minhas palavras se perderiam no oco do seu ser.</p>
<p>Lembro-me da paisagem bonita, da noite amena, da música suave, do seu olhar que não me olhou, das mãos nos ombros revelando o desejo, do abraço que virou passos de dança, do convite tímido e do amor alucinante. Lembro-me que antes de dormir, sonhei acordada com minha mão sobre seu corpo e senti sua mão conduzindo a minha, passeando pelo seu desejo insone. Lembro-me que dormi&#8230; acordei com a luz do dia&#8230; dormi novamente&#8230; e acordei com sua mão despertando-me para o adeus.</p>
<p>Lembro-me do abraço matinal frio como seu olhar que não me olhou. E depois lembro-me da estrada se abrindo para a velocidade da volta ao tempo de antes, quando o encontro era apenas uma energia vibrante do desejo de encontrar. Lembro-me do eco da minha voz ansiosa por resposta, perdendo-se no frio da incerteza do seu gesto de me afastar. Lembro-me do meu desencanto e da certeza de você não mais voltar.</p>
<p>Os dias foram se sobrepondo preguiçosos como seu jeito de olhar sem ter me olhado. O tempo foi incrustando a vontade de falar do que ficou no sentimento da mulher que você amou naquele noite. Uma mulher desconhecida do homem que conheceu o íntimo de seu ser mais íntimo. Uma mulher invadida pelo imprevisível do homem que se anunciou assim como quem não queria se mostrar. Que se achegou sem me olhar, mas que fez tudo em volta vibrar de forma tal, que captei sem precisar ouvir e senti sem precisar tocar.</p>
<p>E os dias foram se sobrepondo sobre a minha certeza de você não mais voltar. Certeza tanta, que meu sentimento deu seu jeito de falar do mesmo jeito de você me ver sem me olhar. Falar palavras que não tenham medo de dizer, porque o sentido do sentir perde-se, muitas vezes, na abstração do silêncio. Palavras escritas na ausência, porque as ditas na presença se perderam no impacto do meu espanto ante sua recusa de me falar. Recusa flagrante e transparente como a do seu olhar que não me olhou, presa no ouvido de minha memória mais triste.</p>
<p>Mesmo sabendo que você não ia olhar, que não ia voltar, foi difícil saber que também não ia falar. Por quê? É então que o sentido de ser mulher aflora e impõe uma resposta que, eu sei, nunca virá, porque talvez o medo de olhar foi que induziu o medo de falar. E se não foi medo? Terá sido frieza? Será? Não. Mesmo tendo captado sua recusa de me olhar e de me falar, senti seu desejo de ir além do simples ato de me tocar.</p>
<p>O que eu não quero, definitivamente, é concluir pela frieza sem razão de ser ou pela indiferença sem razão de ter. Quero acreditar num homem bonito por dentro, capaz de valorizar a mulher, seja ela a mãe, a irmã, a amiga de muito tempo, a companheira de uma vida toda ou a amante de uma noite. Quero acreditar que um dia toquei o sentimento de um homem que, de tão sensível, não dá conta de tocar com os olhos o que toca com as mãos e com o corpo inteiro solto das amarras do medo de se entregar.</p>
<p>Na verdade, o que eu quero é dizer o que não ouvi para ouvir o que precisa ser dito. E foi desta forma louca, como loucos fomos naquela noite, que decidi falar. Eu tenho uma quase certeza de que não mais ouvirei o eco de sua voz no meu ouvido; de que jamais verei o brilho do seu olhar nos meus olhos; e de que nunca mais sentirei o calor do seu corpo no meu. Mas não é isso o que mais importa. Aqueles momentos inesquecíveis o meu sentimento vai cravar na memória intemporal de seus afetos mais caros. Agora, o mais importante é a mulher que você amou por uma noite dizer-lhe que quer ser vista com a pureza de seu olhar mais puro － daquele seu olhar que não precisou se mostrar. Foi sentido sem precisar olhar.</p>
<p>Esta mulher só quer mesmo que o homem que amou por uma noite não fique pensando que o rastro que deixou dentro dela perdeu-se na impureza do esquecimento sórdido dos insensíveis. Que ele está aconchegado na sua memória mais bonita com o brilho de seu olhar mais profundo. Do olhar que ela não viu, mas pressentiu por trás da energia vibrante de uma ternura que conseguiu tocar com o sentimento.</p>
<p>E assim esta mulher se despede desse homem, feliz por ter dito as palavras que foram se sobrepondo como os dias que os separam daquela noite perdida no sopro do tempo. Parte com a certeza de sua ausência definitiva e com a incerteza das esperas que não vão esperar, como a do seu olhar que ela nunca vai poder olhar&#8230; amorosamente.</p>
<p><strong>Referência: </strong><br />
BRITO, Leila. Arabóia. In: <em>Ara</em>. Belo Horizonte: LetraporLetra, 2012. No prelo.</p>
<p><strong>Ilustração:</strong><br />
<em> Adão e Eva</em>. RAPHAEL Urbinas (1508), Vaticano, Roma.<strong></strong></p>
<p><strong>Vocábulo &#8220;Arabóia&#8221;:</strong><br />
Arabóia. <em>S. f. Bras.</em> I. V. <em>caninana</em> (1). 2. Ofídio (<em>Chironius  fuscus</em>. (L.)), comum em toda região equatorial do País; uripiagara. (DICIONÁRIO AURÉLIO). Serpente não venenosa, que possui dentição áglifa, de hábitos arborícolas. Também chamada de ararambóia e gibóia verde.</p>
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		<title>Vídeo em Destaque [Paris]</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Mar 2012 22:05:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leila Brito</dc:creator>
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		<category><![CDATA[movimento]]></category>
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		<description><![CDATA[A CIDADE LUZ EM TRÊS DIMENSÕES
IMPRESSÕES DE PARIS (I)
 Paris é bege

Musée du Louvre 
XISTO BUENO
A expressão não é minha, mas só tomei ciência disso depois que o Paulo me disse que o Mário Rui já a tinha dito antes. De qualquer forma, a primeira impressão que se tem de Paris, depois que se chega [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>A CIDADE LUZ EM TRÊS DIMENSÕES</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>IMPRESSÕES DE PARIS (I)</strong><br />
<strong> Paris é bege<br />
</strong><br />
<strong><img class="aligncenter size-medium wp-image-2039" title="Photos-PARIS-25a26.07.2008 539" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/Photos-PARIS-25a26.07.2008-539-300x225.jpg" alt="Photos-PARIS-25a26.07.2008 539" width="300" height="225" /></strong>Musée du Louvre<strong> </strong></p>
<p><strong>XISTO BUENO</strong></p>
<p>A expressão não é minha, mas só tomei ciência disso depois que o Paulo me disse que o Mário Rui já a tinha dito antes. De qualquer forma, a primeira impressão que se tem de Paris, depois que se chega nela e se começa aperceber da arquitetura napoleônica, é que a cidade não tem cor. Aliás, tem cor. É bege.</p>
<p style="text-align: left;">Tudo é praticamente como era no século XIX. Salva dos bombardeios na segunda guerra mundial, a cidade se manteve como era: bela, conservada e bege. Tudo bem, estou sendo injusto&#8230; Paris não é apenas bege, também tem uns tons de cinza.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2081" title="Photos-PARIS-25a26.07.2008 493" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/Photos-PARIS-25a26.07.2008-4932-300x225.jpg" alt="Photos-PARIS-25a26.07.2008 493" width="300" height="225" />La Seine</p>
<p>Por todos os lugares a cidade se repete. As construções mantêm o mesmo padrão, as mesmas cores. Muros e paredes sem tinta, tijolos aparentes, belas sacadas, janelões. Existe um “quê” de histórico no ar. Tudo remete ao passado. Placas nas casas informando que ali viveu ou morou ou dormiu ou morreu ou bebeu ou foi ao banheiro ou seja lá o que tenha feito, fulano ou cicrano ou beltrano. A gente quase se sente remetido ao tempo deles.</p>
<p>Para quem assistiu o recente “Meia Noite em Paris”, é quase como se se fizesse a viagem a que o filme se propõe. Você vai ao mesmo bar onde Hemingway bebia, passa pelas ruas onde Voltaire passava, anda pela praça onde foi guilhotinada meia Paris durante os anos da Revolução, vai até a cela da Maria Antonieta e vê a recomposição do ambiente. É você dentro da história.</p>
<p>Uma história que seria em preto e branco (aliás, em bege e cinza), se não fossem as pessoas. Como a cidade não tem tinta na parede e padece do quase monocromatismo, as pessoas se colorem. Homens e mulheres sempre bem vestidos. Aliás, como a Dani sempre diz, parece que acabaram de sair de um catálogo de moda. Cores, muitas cores&#8230;</p>
<p>Uma cidade de poucas cores, com gente colorida e que exala o cheiro da história em cada esquina.</p>
<p>Paris é linda.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Referência:</strong><br />
BUENO, Xisto. Impressões de Paris &#8211; Parte I &#8211; Paris é bege. <em>Arquivos do Xis</em>, 30 jul. 2011. Disponível em: http://arquivosdoxis.blogspot.com/2011/07/impressoes-de-paris-parte-01-paris-e.html . Acesso em: 7 mar. 2012.</p>
<p style="text-align: center;"><strong> IMPRESSÕES DE PARIS (II)</strong><br />
<strong> Paris é a Babel<br />
</strong><br />
<strong> <img class="aligncenter size-medium wp-image-2038" title="Photos-PARIS-25a26.07.2008 478" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/Photos-PARIS-25a26.07.2008-4781-300x225.jpg" alt="Photos-PARIS-25a26.07.2008 478" width="300" height="225" /></strong>Tour Eiffel</p>
<p><strong>XISTO BUENO</strong></p>
<div style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.75em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em;">Sabe o mito bíblico da famosa torre que almejava chegar ao céu e que industrioso patriarca celeste, com sua jocosidade literária, resolveu melar os planos fazendo com que os construtores se desentendessem, mudando as línguas que falavam? Pois é, o melhor retrato dessa piada é a cidade de Paris. A cada vinte metros você pode ouvir uns cinco ou dez idiomas diferentes.</div>
<div style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.75em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em;">Não é exagero. A cidade mais visitada do mundo fala o idioma pátrio e exige respeito quando se fala a língua deles. A permissividade brasileira, que se esforça para entender e traduzir qualquer tentativa arranhada dos turistas de falar português, não encontra reflexo no dia-a-dia parisiense. Não que haja má-educação ou mau-humor, como é geralmente alardeado.</div>
<div style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.75em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em;">Se você tenta emendar um francês macarrônico, sem a acentuação devida e com uma palavra lembrando outra, o interlocutor ou diz que não está te entendendo ou te responde em inglês. Muito justo. Assim a língua se mantém. Eu mesmo quis comprar um “carte orange”, em uma tentativa ridícula de francês e a balconista me olhou com uma cara de “eu, heim!” e perguntou: “o senhor é brasileiro?”.</div>
<div style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.75em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em;">Mas não é essa nossa temática. O fato é que a cidade mais visitada do mundo traz consigo as línguas de cada um dos visitantes. Europeus, asiáticos, africanos, americanos. Uma invasão multicultural (muitas vezes pouco educada) por toda a cidade, fotografando, admirando bestificada a cidade.</div>
<div style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.75em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em;">A Torre é um dos locais onde isso é mais evidente. As filas sempre enormes, com pessoas de todos os locais do mundo, cada um falando seu idioma. Até francês se ouve por lá (mas é pouco!).</div>
<div style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.75em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2052" title="Photos-PARIS-25a26.07.2008 236" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/Photos-PARIS-25a26.07.2008-236-300x225.jpg" alt="Photos-PARIS-25a26.07.2008 236" width="300" height="225" />Assemblee Nationale</p>
<p style="text-align: left;">E a cidade vê as pessoas passarem, indo de monumento em monumento, em uma mistura de idiomas, etnias, sorrisos. Cada um falando uma língua, mas todos se entendendo na alegria de estar naquela cidade bege.</p>
<p style="text-align: left;">Enquanto isso, os franceses continuam vivendo seu cotidiano, falando em francês e se incomodando com o excesso de turistas, que superlotam a cidade.</p>
</div>
<div style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.75em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em;">Paris é linda.</div>
<div style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.75em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em;"><strong>Referência:</strong><br />
BUENO, Xisto. Impressões de Paris &#8211; Parte II - Paris é a Babel. <em>Arquivos do Xis</em>, 2 nov. 2011. Disponível em: http://arquivosdoxis.blogspot.com/2011/11/impressoes-de-paris-parte-02-paris-e.html. Acesso em: 7 mar. 2012.</div>
<p style="text-align: center;"><strong><br />
IMPRESSÕES DE PARIS (III)<br />
Paris é tensa</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><img class="aligncenter size-medium wp-image-2042" title="Photos-PARIS-25a26.07.2008 434" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/Photos-PARIS-25a26.07.2008-4341-300x225.jpg" alt="Photos-PARIS-25a26.07.2008 434" width="300" height="225" /></strong></p>
<p style="text-align: center;">Cathédrale Notre Dame</p>
<p><strong>XISTO BUENO</strong></p>
<p>A mais tradicional imagem de Paris é a de cidade romântica. Inúmeras pontes sobre o rio que divide a cidade, passeio de barco, cafés, bistrôs&#8230; A cidade é praticamente um cenário para que os casais possam andar de mãos dadas, apreciando a arquitetura (bege!), monumentos, parques e, porque não?, estações de metrô.</p>
<p>O fato é que, se no passado a cidade foi um marco com casais se beijando pelas ruas, em uma época em que isso causava certa transgressão social, se havia demonstrações explícitas de romantismo no ar (sobretudo por ser o berço dos movimentos literários que estimularam as demonstrações dessa natureza), hoje é uma cidade como todas as outras, com pessoas apressadas, indo e vindo do trabalho. E com turistas. Milhares deles.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2079" title="Photos-PARIS-25a26.07.2008 058" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/Photos-PARIS-25a26.07.2008-0581-300x225.jpg" alt="Photos-PARIS-25a26.07.2008 058" width="300" height="225" />Arc du Triomphe de l&#8217;Etoile</p>
<p>Sim, a cidade é bela, mas o tão falado romantismo não está, de fato na cidade: está nos turistas que buscam o romantismo por lá. Sim, o cenário é cinematográfico, mas houve uma construção para que ALI fosse tido como romântico. Há umas centenas de cidades na Europa com características semelhantes, mas a literatura e cinema construíram aquela imagem da Paris e todos nós compramos a ideia sem questionar.</p>
<p>O parisiense é um cidadão inquieto, apressado e barulhento. Como dito, ele precisa ir ao trabalho, precisa pagar contas, pegar filas, enfrentar metrôs, assistir aulas. O dia-a-dia dele é igual ao meu e ao seu. Não existe, para ele, essa suposta aura romântica no ar. Mas existem os milhares de turistas pela cidade (sendo que muitos deles são mal educados ao extremo). O trânsito é caótico e, em que pese sejam os motoristas educadíssimos com os pedestres, nunca se incomodam em “pregar a mão” na buzina do carro. Pouco importa o horário, frise-se.</p>
<p>Enfim, a cidade não é romântica, mas as pessoas são românticas na cidade. Aproveitam que ela ajuda e se deixam fluir naquilo que foi um “constructo” mental, trabalhado na literatura e no cinema, e se entregam a um sentimento que existe nelas e que projetam na cidade (mas poderia ser Bruxelas, Amsterdã, Oslo, Veneza, etc, etc, etc, etc&#8230;).</p>
<p>Paris é linda.</p>
<p><strong>Referência:</strong><br />
BUENO, Xisto. Impressões de Paris &#8211; Parte III &#8211; Paris é tensa. <em>Arquivos do Xis</em>, 7 dez. 2011. Disponível em: http://arquivosdoxis.blogspot.com/2011/12/impressoes-de-paris-parte-03-paris-e.htmlAcesso em: 7 mar. 2012.</p>
<p style="text-align: right;">
<p style="text-align: right;">Culminando as perfeitas tomadas de cena do cronista mato-grossense,<br />
que em seus surpreendentes enquadramentos cinematográficos,<br />
projeta a<em> Cidade Luz</em> em cor, movimento, sentidos e sentimentos,<br />
pondo-o em primeiro plano, faço um close do êxtase que Paris exala.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>LEILA BRITO</strong><br />
Belo Horizonte, 7 de mar. 2012.</p>
<p><strong>Ilustrações:<br />
</strong>Fotos de Leila Brito &#8211; 25/26 jul. 2008 (arquivo pessoal)</p>
<p><strong>Vídeo em destaque: </strong><br />
<em>Destination Paris</em>. Enviado por <em>Frenchpilot </em>em 10/10/2006. Disponível em:  http://www.youtube.com/watch?v=xg2RpK7UkV8&amp;feature=fvwrel</p>
<p style="text-align: left;"><strong><br />
</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Crônica de Viagem (IV)</title>
		<link>http://letraporletra.com.br/wordpress/?p=2013</link>
		<comments>http://letraporletra.com.br/wordpress/?p=2013#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 07 Feb 2012 00:03:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leila Brito</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
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		<description><![CDATA[
De Barcelona a Paris – no avião com um surpreendente francês

LEILA BRITO
 
 Mais que um projeto de viagem, Paris sempre foi um sonho fugidio que eu temi sonhar pela própria altitude do voo. Assim, estando a menos de duas horas de sua realização, sinto a sensação de uma entorpecida expectativa, como se a ansiedade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2014" title="vueling" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/02/vueling-300x199.jpg" alt="vueling" width="300" height="199" /><strong><br />
De Barcelona a Paris – no avião com um surpreendente francês</strong></p>
<p><strong><br />
LEILA BRITO</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong>Mais que um projeto de viagem, Paris sempre foi um sonho fugidio que eu temi sonhar pela própria altitude do voo. Assim, estando a menos de duas horas de sua realização, sinto a sensação de uma entorpecida expectativa, como se a ansiedade tivesse sido expulsa da espera. Talvez um efeito emocional decorrente do tempo mínimo de três horas e meia de sono, pois meu voo decola às seis horas. A quietude da madrugada confere um tom nostálgico aos meus sentidos aguçados por confortável sensação de liberdade, enquanto trafego por vias silenciosas em direção ao desconhecido.</p>
<p>Não sei se a serenidade acrescenta-me magnetismo ou se o simpático e elegante cavalheiro que tenta engatar um flerte comigo viu outra coisa em mim. Atenta ao movimento no setor de embarque, finjo não perceber sua intenção nem mesmo quando, propositadamente, ele se põe ao meu lado na fila desalinhada de passageiros que caminha apressada no pátio do aeroporto El Prat até o ônibus que nos levará ao voo 5074 da Vueling, onde senta-se ao meu lado, sem dar-me chance de fuga, e inaugura a conversa com um delicado “permiso?”. Noto seu carregado sotaque, enquanto ele se apresenta como um francês que vive há mais de dez anos em Barcelona. Concluído o curso de español para extranjeros, sinto-me confiante para hablar con las personas, o que me deixa descontraída na comunicação. Porém, mal nos apresentamos pelo nome e nacionalidade, somos interrompidos pelo quase imediato desembarque e separados pelo conturbado movimento do embarque pela escada do avião.</p>
<p>Envolvida com a busca do assento 24A, dou o episódio por encerrado, mas assim que me acomodo na poltrona, novamente sou surpreendida por ele que, sorrindo, senta-se ao meu lado. Coincidência ou trocara de lugar com outro passageiro? Enfim posso deter-me naquele perturbador olhar camuflado por ameno tom voz, a despeito do sotaque que encrespa de erres guturais os erres linguais do idioma español. Mostrando-se íntimo, ele fala do seu trabalho empresarial e me conta que está indo para Cannes, lamentando não poder ficar em Paris para acompanhar-me em passeios noturnos pela cidade.</p>
<p>Inclusive, explica, nem mesmo poderá encontrar os filhos, que vivem com a mãe na cidade desde o divórcio. À menção da ex-mulher, passa a falar do demorado e conturbado processo judicial marcado por conflitos acirrados na divisão dos bens e prejuízos fatais com advogados, o que o levou a buscar outro país para reconstruir sua vida. É então que menciono uma possível namorada espanhola e ele, mostrando-se ofendido com meu espontâneo comentário, reage indignado: “No! Jamás! Jamáz una española!”. Intrigada com o tom veemente da negativa, pergunto ressabiada, encolhendo-me receosa na poltrona: “Porque no?”. E ele responde baixinho: “Porque no les gusta bañarse. Son sucias”. Ante meu constrangido silêncio, ele prossegue: “Por eso mi novia es colombiana. Me gusta las mujeres de latinoamerica”. Foi então que, galhofamente, pensei: “Ufa!&#8230; Ele me acha limpa.”, contendo um traiçoeiro riso que chegou a repuxar meus lábios.</p>
<p>Entregue a momentânea abstração, sou arrastada por um flashback ao modus vivendi da minha anfitroa marcado por um obsessivo controle do consumo de água, que levou-a a retirar e esconder sorrateiramente o tampão da banheira, para eu não tomar banho de imersão; e também à rigorosa limpeza que me vi forçada a fazer às escondidas na habitación, no sábado seguinte à minha chegada, depois de andar descalça por alguns minutos e sentir os pés grudando na sujeira preta acumulada no piso de cerâmica, pelo visto, em anos de descuido; e ainda, à cozinha sempre implorando uma limpeza radical, especialmente o bule inoxidado ornado por aquela crosta secular de sujeira na tampa e no bico, o que levou-me a trocar o café da manhã por suco de caixa. Impossibilitada de advogar em defesa das rés espanholas, sou forçada a avalizar a sentença do inflexível juiz francês com um cúmplice e discreto menear de cabeça.</p>
<p>Ele não percebe meu desconforto, e eu decido arejar a conversa falando do pouco tempo que ficarei em Paris e da consequente necessidade de restringir minha visita aos principais pontos turísticos. Ao saber que não tenho amigos na cidade, informa seu nome – Joel Murian – e o número do teléfono móvil para eu contatá-lo em caso de dificuldade, acompanhando, gentil e atencioso, o rápido registro no meu celular. Tempo exato para ouvirmos a voz do comandante anunciando a chegada ao aeroporto Charles de Gaule, e silenciarmos até o momento da afetuosa despedida traduzida num cordial abraço, tão logo somos autorizados a deixar o avião, o que ele faz rapidamente, pois tem pouco tempo para pegar o voo de Cannes.</p>
<p>Enquanto caminho pelo finger, tento colocar em standby as sensações deixadas pela inusitada vivência cultural, para concentrar-me no grande desafio que me espera – chegar ao setor da rassemble bagage e depois localizar a sortie e o ponto do transport en commun que me levará ao centro histórico da cidade. Apresso o passo, pois é melhor seguir os últimos passageiros do meu voo para não errar o caminho. Afinal, Paris ici je suis et je ne parle pas français, solo lengua española. Ichi!&#8230;</p>
<p><strong>Referência:</strong><br />
BRITO, Leila. <em>De Barcelona  Paris–  no avião com um surpreendente francês</em>. Chá.com Letras, 6 fev. 2012. Disponível em: www.chacomletras.com.br . Acesso em: dia [7] mês [fev.] ano [2012].</p>
<p><strong>Ilustração:<br />
</strong>Avião da Vueling &#8211; Disponível em: &lt;http://www.viaggi.libero-news.it/tag/vueling/&gt;. Acesso em: 6 fev. 2012.</p>
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		<title>Vídeo em Destaque</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 19:55:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leila Brito</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
BARCELONA
Maior metrópole da Europa dentre as localizadas na costa do Mediterrâneo, Barcelona é também a maior cidade e a capital da comunidade autônoma da Catalunha, nordeste da Espanha, e a capital da comarca de Barcelonès e da província de Barcelona. Lá se encontram as instituições mais importantes do governo da Catalunha: a Generalidade da Catalunha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1967" title="barcelonaII" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/barcelonaII-300x209.jpg" alt="barcelonaII" width="300" height="209" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>BARCELONA</strong></p>
<p>Maior metrópole da Europa dentre as localizadas na costa do Mediterrâneo, Barcelona é também a maior cidade e a capital da comunidade autônoma da Catalunha, nordeste da Espanha, e a capital da comarca de Barcelonès e da província de Barcelona. Lá se encontram as instituições mais importantes do governo da Catalunha: a Generalidade da Catalunha<a title="Generalidade da Catalunha" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Generalidade_da_Catalunha"></a> (governo autônomo) e o parlamento autônomo.</p>
<p>Das ruínas romanas à cidade medieval, passando por bairros do modernismo catalão, com seus edifícios característicos, ruas arborizadas e largas avenidas, Barcelona reúne harmonicamente o antigo e o novo, revelando, nas linhas de seu traçado singular, a arquitetura do mestre Antoni Gaudí exposta em algumas de suas mais relevantes obras. Dentre elas, o representativo <em>Temple Expiatori de la Sagrada Familia</em>, que Gaudí deixou inacabado mas segue sendo construído lentamente como as catedrais na Idade Média. Seu término está previsto para até 2020. Outras obras do mesmo período são o <em>Park Güell</em>, a<em> Casa Milà</em>, também chamada de <em>La Pedrera</em>, e a <em>Casa Batló</em>, que dividem espaço com o <em>Hostal de la Santa Creu i Sant Pau</em> e o <em>Palau de la Música Catalana</em>, de Lluís Domènech i Montanera, e com o <em>Palau Macaya</em> de Josep Puig i Cadafalch.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1972" title="gina-7" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/gina-7-196x300.jpg" alt="gina-7" width="196" height="300" /><em>Casa Batló</em></p>
<p style="text-align: left;">Em outros estilos e períodos da História, o medieval se destaca com as obras góticas que proliferam no centro histórico da cidade, precisamente no denominado<em> Barri Gòtic</em>,<em> </em>como a <em>Seo de Santa Cruz i Santa Eulalia</em> ou Catedral Gótica de Barcelona. Nesse mesmo estilo, a <em>Seo <span>Santa María de Mar</span></em> se caracteriza por sua austeridade e harmonia nas medidas.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1974" title="Barcelona-Montjuic-19.07.2008 113" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/Barcelona-Montjuic-19.07.2008-1131-300x225.jpg" alt="Barcelona-Montjuic-19.07.2008 113" width="300" height="225" /><em> </em><em>Museu Nacional d’Art de Catalunya </em>–MNAC</p>
<p>No estilo contemporâneo, destaque para a arquitetura do<em> German Pavello </em>(Pavilhão Alemão) de Ludwig Mies van der Rohe, o prédio da <em>Fundació Joan Miró</em>, do arquiteto catalão Josep Liuís Sert, o<em> Palau Sant Jordi</em> (Palácio de Esportes da Vila Olímpica) de Arata Isozaki, a <em>Torre de Collserola i Tibidabo</em> de Norman Foster  e a <em>Torre de Montjuïc</em> de Santiago Calatrava. Na etapa pós-olímpica, a cidade seguiu mantendo seu desenvolvimento arquitetônico, construindo edifícios como o <em>Museu Nacional d&#8217;Arte Contemporani</em> <em>de Barcelona</em><em> </em>de Richard Meier, o <em>Teatro Nacional da Cataluña</em>, a <em>Torre Agbar</em> de Jean Nouvel, a <em>Torre do Triângulo Ferroviário</em> de Frank Gehry e o <em>Edifício Fórum</em> de Jaques Herzog e Pierre de Meuron.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1975" title="Photos-PARIS-25a26.07.2008 051" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/Photos-PARIS-25a26.07.2008-051-300x225.jpg" alt="Photos-PARIS-25a26.07.2008 051" width="300" height="225" /><em>La Boqueria</em> &#8211; <em>La Rambla </em></p>
<p style="text-align: left;">No centro da cidade, um lugar se destaca pela riqueza cultural: a <em>La Rambla </em>– passarela situada entre a Plaça de Catalunya e o antigo porto, onde são encontradas quiosques de flores, cafeterias, restaurantes, lojas comerciais e mercados. Assim, no percurso pela <em>La Rambla</em>, pode-se admirar edifícios históricos como o<em> Palau de Virreina</em>, o mercado de <em>La Boqueria</em> e o famoso <em>Grande Teatro do Liceu</em>. Uma rua lateral a<em> La Rambla</em> conduz a <em>Plaça Reial</em> e suas palmeiras e edifícios que abrigam cervejarias e restaurantes, findando no antigo porto onde se destaca o <em>Monumento a Colombo</em> que aponta para o mar. Próximo dali se encontra o <em>Museu Maritim</em>, dedicado à história naval do Mar Mediterrâneo, e onde se exibe a reprodução, em escala real, de uma antiga galera de combate. O porto oferece outros atrativos como um centro de ócio com lojas, restaurantes, um cinema IMAX e um aquário da fauna marinha mediterrânea.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1971" title="Barcelona-Montjuic-19.07.2008 020" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/Barcelona-Montjuic-19.07.2008-020-300x225.jpg" alt="Barcelona-Montjuic-19.07.2008 020" width="300" height="225" /><em>Fundació Joan Miró</em></p>
<p>As Artes Plásticas ocupam lugar de destaque em Barcelona, pois dentre outros gênios da pintura, é cidade natal de Joan Mirò e cidade residência de Pablo Picasso a partir dos 14 anos.<strong> </strong>O <em>Museu Picasso</em> <a title="Museu Picasso (Barcelona)" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_Picasso_%28Barcelona%29"><em> </em></a>conta com uma importante coleção de obras pouco conhecidas, pois criadas pelo pintor em fases iniciais de sua extensa obra. Da mesma forma, na <em>Fundació Joan Miró</em>, encontram-se expostas algumas das mais importantes obra deste pintor e escultor, e exposições itinerantes procedentes de museus de todo o mundo. No <em>Museu Nacional d’Art de Catalunya &#8211; MNAC</em>, situado no <em>Palau Montjuïc</em>, encontra-se exposta uma importante coleção de arte romana. Como seu próprio nome indica, o recém construído <em>Museu d’Art Contemporani de Barcelona</em> expõe trabalhos de artistas desta Escola de Arte. Também são relevantes o <em>Centre de Cultura Contemporània de Barcelona</em>, situado em El Raval, a <em>Fundació Antoni Tàpies</em>, a <em>Fundación Caixa Catalunya</em> – <em>La Pedrera</em> e o <em>Museu de Ciència</em> também denominado <em>CosmoCaixa</em>, também vistas no vídeo ao lado.</p>
<p style="text-align: right;">O que mais posso dizer de Barcelona?<br />
Que ela tingiu de azul o verde de minha memória marinha?<br />
E reavivou de cores ensandecidas o meu prazer desacordado?<br />
E soltou no ar de minha espera bolhas de sabão enlouquecidas?<br />
E explodiu meu querer com o encontro do amor sonhado?</p>
<p style="text-align: right;"><strong>LEILA BRITO</strong><br />
Belo Horizonte, 31 jan. 2012.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Referência:</strong><br />
WIKIPEDIA. <em>Barcelona</em>. Disponível em: &lt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Barcelona&gt;. Acesso em: 31 jn. 2012.</p>
<p><strong>Ilustração:</strong><br />
Foto 1 &#8211; Barcelona via satélite. <em>Google</em>. Disponível em: &lt;http://www.google.com.br&gt;. Acesso em: 31 jan. 2012.<br />
Foto 2 &#8211; Barcelona &#8211; <em>Casa Batló</em> (Antoni Gaudí). Autor desconhecido desta escritora. Disponível em: &lt;http://thaa2.wordpress.com/category/gina/&gt;. Acesso em: 31 jan. 2012.<br />
Foto 3 &#8211; Barcelona &#8211; <em>Museu Nacional d&#8217;Arte Contemporani</em> <em>de Barcelona</em>–MNAC &#8211; Foto de Leila Brito, jul. 2008.<br />
Foto 4 &#8211; Barcelona &#8211; <em>La Boqueria</em>, La Rambla<em> </em>- Foto de Cacau Pereira, jul. 2008.<br />
Foto 5 &#8211; Barcelona &#8211; <em>Fundació Joan Miró</em>, jul. 2008. Foto de Leila Brito, jul. 2008.</p>
<p><strong>Vídeo:</strong><em><br />
Barcelona Desde el Aire</em> &#8211; By Hugloreviglione &#8211; Parte I de 5. Disponível em: &lt;http://www.youtube.com/watch?v=JVDoFxfSKH0&gt;. Acesso em: 31 jan. 2012.<br />
Parte 2 de 5 &#8211; http://www.youtube.com/watch?v=ySIvJbUg1yo<br />
Parte 3 de 5 &#8211; http://www.youtube.com/watch?v=nbXOMrIo55I<br />
Parte 4 de 5 &#8211; http://www.youtube.com/watch?v=SRczXscZbfo<br />
Parte 5 de 5 &#8211; http://www.youtube.com/watch?v=-bj5TErF02Y</p>
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		<title>Crônica de Viagem (III)</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 17:14:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leila Brito</dc:creator>
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De Lisboa a Barcelona – &#8220;no meio do caminho tinha uma pedra&#8221;

 
LEILA BRITO
Após o vexame da esdrúxula escolta, o tempo de quase duas horas de espera pelo voo das 9h45 para Barcelona e a animadora expectativa de chegar ao ansiado destino, onde sei que me esperam pessoas acolhedoras e uma inédita e valiosa vivência [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1952" title="Barcelona-Montjuic-19.07.2008 091" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/Barcelona-Montjuic-19.07.2008-0911-300x225.jpg" alt="Barcelona-Montjuic-19.07.2008 091" width="300" height="225" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>De Lisboa a Barcelona – &#8220;no meio do caminho tinha<em> </em>uma pedra&#8221;<br />
</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>LEILA BRITO</strong></p>
<p>Após o vexame da esdrúxula escolta, o tempo de quase duas horas de espera pelo voo das 9h45 para Barcelona e a animadora expectativa de chegar ao ansiado destino, onde sei que me esperam pessoas acolhedoras e uma inédita e valiosa vivência pessoal, recolocam minha autoestima no eixo de um salutar controle emocional.</p>
<p>No ar, o espaço se apresenta azuladamente limpo e eu posso vislumbrar sua vastidão se sobrepondo à própria infinitude cortada pela asa do avião, que limitando meu foco de visão o converge para baixo, onde uma espécie de quebra cabeças se forma a cada sobrevoo de um povoado ou cidade. Tento decifrá-los envolvida por repousante sensação de leveza quando, repentinamente, a águia de aço parece se agitar no espaço, batendo fortemente suas asas, de forma tal que faz voar pelos ares as peças de um povoado com extensas e simétricas plantações, que eu tentava montar.</p>
<p>O incidente é o bastante para revolver a emoção e substituir a confiança pelo medo que, ora corajoso, se esconde sob a grandiosa cidade que, finalmente, se revela ao meu olhar atônito, desenhando-se interminavelmente sobre o solo em vertiginoso mapa; e ora traiçoeiro, impede que eu me delicie com o estupendo azul marinho do Mar Mediterrâneo se avolumando afoito sob meus pés, quando o avião se inclina vertiginosamente numa ousada curva, quase tocando as águas com a ponta de sua asa direita, onde um alvo barco deixa um sinuoso rastro de espuma branca. Sinto um calafrio escorrendo pela coluna até o coccis, e prendo a respiração em paralizante pânico, até ser arrebatada pela beleza magnífica da paisagem e momento únicos. Mais uns poucos minutos de tensionado encantamento e eu deslizo convulsa sobre a pista do aeroporto El Prat.</p>
<p>Se bem que as referências sobre o modus recēptō dos espanhóis não sejam nada promissoras, depois desembarcar, por volta das 11h40, sinto a sensação de tocar o chão de um porto seguro, quando um passageiro do meu voo, cuja nacionalidade não consigo identificar pelo sorriso, auxilia-me, gentilmente, pegando minha bagagem mais pesada na esteira e colocando-a no carrinho.</p>
<p style="text-align: left;">O calor de 38º que o ar condicionado não consegue derreter obriga-me a tirar o casaco de meia estação que usara na viagem. Com as pernas ainda sob o efeito da maratona inglória no aeroporto de Lisboa e sentindo um cansaço mental incomum, sigo em direção à saída e ao ponto de taxi sem direito à escolha, pois o primeiro da fila é quem se apresenta para levar-me ao número 671 da famosa Gran Via de les Cort’s Catalanes, onde me aguarda uma gentil anfitroa.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1950" title="Barcelona-Montjuic-19.07.2008 003" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/Barcelona-Montjuic-19.07.2008-003-300x225.jpg" alt="Barcelona-Montjuic-19.07.2008 003" width="300" height="225" />Monumento da Plaça d&#8217;Espanya</p>
<p>Ao informar la dirección no meu inseguro español, o taxista deduz que sou brasileira e, com um tom rude na voz, faz um breve e vazio comentário sobre o Brasil, perguntando-me o porquê da minha viagem. Sucinta e objetiva, falo do curso “Español para Extranjeros” na Universitat de Barcelona e da minha intenção de conhecer algumas cidades da Espanha e esticar viagem até a França e Itália. Dito isto, um profundo silêncio é imposto por mim, enquanto meu curioso olhar adentra uma paisagem urbana cada vez mais rica em obras de arte espalhadas pelas  praças e avenidas, incapaz de conseguir inserir todas elas no mosaico veloz que vai construindo ao longo do caminho que nos leva ao meu destino. O trânsito se torna lento ao cruzarmos a Plaça d’Espanya, ornada por seu belíssimo monumento central, e de onde avisto ao longe o suntuoso Palau Nacional de Montjuïc, e só então me dou conta que passa do meio dia e meia, muito embora o meu relógio, acertado no aeroporto de Lisboa, marque uma hora a menos.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1948" title="Fotos-Barcelona-Dias 12-13.07.2008 060" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/Fotos-Barcelona-Dias-12-13.07.2008-060-300x225.jpg" alt="Fotos-Barcelona-Dias 12-13.07.2008 060" width="300" height="225" />Monumento da Plaça Tetuan</p>
<p>Percebo o trânsito complicar-se, quando o motorista informa que já estamos na Gran Via, e então, após passar pela Plaça d&#8217;Universitat, colocando os óculos de grau, ansiosa, passo a checar a numeração dos prédios. Mais adiante, já avistando ao longe o monumento da Plaça Tetuan com seus Jardins del Doctor Robert, informo ao motorista que estamos próximos do meu destino, mas que o número 671 fica na pista oposta da avenida. Segundos depois, após fazer uma brusca conversão na esquina com a Carrer de Girona, aproveitando-se do sinal fechado, o taxista para o carro assim que entra no quarteirão, e fazendo ouvidos moucos ao meu aflito alerta de ainda não termos chegado ao prédio, ele salta para a rua, e abrindo o porta malas, retira rapidamente a minha pesada bagagem e a coloca no passeio público, para em seguida voltar ao carro e, de forma rude, cobrar-me a corrida, mostrando-se impaciente ante meu justificado protesto e pedido para que me deixe no lugar certo. Percebendo a inutilidade da ação, e preocupada com meus pertences largados no chão, pago logo os trinta euros, desço do carro, e só então constato, indignada, que ele me deixara a uns vinte metros da portaria do prédio.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1949" title="076" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/0761-300x225.jpg" alt="076" width="300" height="225" />Gran Via de les Cort&#8217;s Catalanes, 671</p>
<p>Impossibilitada de levar a bagagem até lá, peço ajuda a um rapaz que se aproxima de mim caminhando em sentido oposto. Fazendo um muxoxo, mas sensível à situação em que me encontro, ele resolve ajudar-me e, dando meia-volta, puxa as duas malas pelas alças enquanto eu transporto bolsa, frasqueira, computador e travesseiro. Apressado, mal ouve meu sincero e sofrido muchas gracias ao retomar seu caminho. Recompondo-me emocionalmente, respiro fundo e pressiono o botão do interfone. Enfim, a salvo.</p>
<p><strong>Referência:</strong><br />
BRITO, Leila. <em>De Lisboa a Barcelona – “no meio do caminho tinha uma pedra”</em>. Chá.com Letras, 31 jan. 2012. Disponível em: www.chacomletras.com.br . Acesso em: dia [1] mês [fev.] ano [2012].</p>
<p><strong>Ilustração:</strong><br />
Fotos de Leila Brito – arquivo pessoal – jul. 2008.<br />
Foto 1 &#8211; Vista de Barcelona do alto do Montjuïc.<br />
Foto 2 &#8211; Monumento da Plaça d&#8217;Espanya tendo ao fundo o Palau Montjuïc.<br />
Foto 3 &#8211; Monumento da Plaça Tetuan.<br />
Foto 4 &#8211; Gran Via de les Cort&#8217;s Catalanes, 671.</p>
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		<title>Feliz Homem Novo (Raul Longo)</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Dec 2011 22:10:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leila Brito</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
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		<category><![CDATA[homem_Novo]]></category>
		<category><![CDATA[Raul_Longo]]></category>

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		<description><![CDATA[
FELIZ HOMEM NOVO
Que não seja mais
um ano
de tudo de novo
do mesmo velho Homem.
Que esse Homem
solitário e mesquinho,
voltado a si mesmo,
se faça farto e pleno
e não abandone ninguém
no caminho,
a esmo.
Que seja o ano do
Homem Sol,
alimento.
Que não seja o ano
de tudo de novo.
Do mesmo preconceito,
da mesma prepotência.
Um ano sem a sempre ausência
que envergonha a espécie
a cada lamento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1935" title="leonardo_da_vinci" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/leonardo_da_vinci-300x225.jpg" alt="leonardo_da_vinci" width="300" height="225" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>FELIZ HOMEM NOVO</strong></p>
<p style="text-align: center;">Que não seja mais<br />
um ano<br />
de tudo de novo<br />
do mesmo velho Homem.</p>
<p style="text-align: center;">Que esse Homem<br />
solitário e mesquinho,<br />
voltado a si mesmo,<br />
se faça farto e pleno<br />
e não abandone ninguém<br />
no caminho,<br />
a esmo.</p>
<p style="text-align: center;">Que seja o ano do<br />
Homem Sol,<br />
alimento.</p>
<p style="text-align: center;">Que não seja o ano<br />
de tudo de novo.<br />
Do mesmo preconceito,<br />
da mesma prepotência.</p>
<p style="text-align: center;">Um ano sem a sempre ausência<br />
que envergonha a espécie<br />
a cada lamento de criança<br />
com fome.<br />
A cada mulher<br />
à qual não se respeita<br />
nem o nome<br />
nem a essência.</p>
<p style="text-align: center;">Para que não seja<br />
apenas mais um velho<br />
ano novo.</p>
<p style="text-align: center;">Que seja, enfim e de fato,<br />
o ano do Homem Novo<br />
e do enquanto<br />
da noite de hoje,<br />
desponte o encanto<br />
do Sol<br />
da eternidade do amanhã.</p>
<p style="text-align: center;">Feliz Homem Novo!</p>
<p style="text-align: center;"><strong>RAUL LONGO</strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong>Referência:</strong><br />
LONGO, Raul. <em>Feliz homem novo</em>. Chá.com Letras, 30 dez. 2011. Disponível em: www.chacomletras.com.br . Acesso em: dia (30) mês (dez.) ano (2011).</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Ilustração:</strong><br />
Leonardo da Vinci. <em>Estudio de las proporciones del cuerpo humano.</em> 1490. Pluma, tinta y lapys metalizado sobre papel, 34,3 x 24,5 c. Gallerie Dell&#8217;Accademia, inv. nr. 228, Venecia. In: HOHENSTATT, Peter.<em> Leonardo da Vinci</em>: grandes maestros del arte italiano. Barcelona: Tandem Verlag GmbH, 2007.</p>
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		<title>Vídeo em Destaque &#8211; Presente Especial de Ano Novo</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 01:14:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leila Brito</dc:creator>
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NORDESTE &#8211; O BRASIL BRASILEIRO

 
LEILA BRITO
“Gigante pela própria natureza”, o Brasil prima por excêntrica multiculturalidade e exótica diversidade étnica, que tem no Nordeste a sua mais pura expressão de brasilidade. Isto porque o povo nordestino é fruto da autêntica miscigenação dos três grupos étnicos formadores da raça brasileira: o indígena, o branco (a região [...]]]></description>
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<p align="center"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1882" title="cantoria-geraldo-azevedo-vital-farias-elomar-xangai" src="http://letraporletra.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/cantoria-geraldo-azevedo-vital-farias-elomar-xangai-300x225.jpg" alt="cantoria-geraldo-azevedo-vital-farias-elomar-xangai" width="300" height="225" /></p>
<p align="center"><strong>NORDESTE &#8211; O BRASIL BRASILEIRO<br />
</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>LEILA BRITO</strong></p>
<p>“Gigante pela própria natureza”, o Brasil prima por excêntrica multiculturalidade e exótica diversidade étnica, que tem no Nordeste a sua mais pura expressão de brasilidade. Isto porque o povo nordestino é fruto da autêntica miscigenação dos três grupos étnicos formadores da raça brasileira: o indígena, o branco (a região possui a segunda maior população do país com influência genética de europeus não latinos, sobretudo saxões) e o negro. Mas como essa mistura de raças não aconteceu uniformemente, ela gerou três subtipos raciais: o caboclo – mestiço de branco com índio (Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e oeste e região central de Pernambuco), o mulato – mestiço de branco com negro (Bahia, Maranhão, Alagoas e leste de Pernambuco) e o cafuzo – mestiço de índio com negro (Maranhão). Tem-se, então, um conjunto genético de riqueza ímpar (WIKIPÉDIA, 2011).</p>
<p>Atrelada a essa diversidade étnica, a multiculturalidade nordestina, indiscutivelmente, é a grande responsável pela autenticidade da Música Brasileira, e vem contribuindo, ao longo do tempo, para o seu enriquecimento, através do trabalho de reconhecidos fenômenos da música mundial, como os músicos-violonistas-violeiros, compositores e cantadores <strong>Elomar Figueira Mello</strong> – baiano de Vitória da Conquista; <strong>Vital Farias</strong> – paraibano de Taperoá; <strong>Eugênio Avelino- Xangai</strong> – baiano de Itapebi; e <strong>Geraldo Azevedo</strong> – pernambucano de Petrolina.</p>
<p>O show <em>Cantoria </em>reuniu no palco do Teatro Castro Alves de Salvador, em 1984, esses quatro maiores violeiros e cantadores do Brasil, para a primeira gravação ao vivo com tecnologia digital em nosso país. Neste disco, os compositores revisitam suas parcerias, sucessos de suas carreiras solo e pérolas do cancioneiro popular nordestino. Em 1988, eles voltaram ao mesmo palco do Teatro Castro Alves e gravaram o <em>Cantoria II</em>. Reapresentado em várias capitais brasileiras, sendo que a última apresentação aconteceu na Virada Cultural de São Paulo, no dia 16 de maio de 2010, o <em>Cantoria</em> é considerado um marco na história da Música Popular Brasileira.</p>
<p>No espaço de vídeo, postei um áudio do CD Cantoria de 1988, na exótica voz de Vital Farias, que canta seu maravilhoso <span><em>pout</em>-<em>pourri, </em></span>composto de duas belíssimas canções: <em>Era Casa, Era Jardim</em> e <em>Veja Você</em> (Margarida), como um presente do Chá.com Letras a você, Caro(a) Leitor(a), com meus votos de Saúde, Paz, Alegrias e Realizações em 2012.</p>
<p>Na sequência, em quatro post’s, apresento cada um desses quatro grandes músicos, poetas e cantadores brasileiros, executando uma de suas mais impactantes composições musicais, em vídeos inclusos na própria matéria.</p>
<p align="right"><strong>LEILA BRITO</strong><br />
Belo Horizonte, 25 DEZ 2011.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Referências:</strong><br />
WIKIPÉDIA. Disponível em: &lt;&lt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Nordeste_do_Brasil&gt;</p>
<p><strong>Referência deste ensaio</strong>:<br />
BRITO, Leila. <em>Direto do Nordeste</em>: meu Brasil brasileiro. Chá.com Letras, 25 dez. 2011. Disponível em: www.chacomletras.com.br . Acesso em: dia (27) mês (jun.) ano (2011).</p>
<p><strong>Ilustração:</strong><br />
Fotos do Show Cantoria – realizado no teatro Castro Alves, em Salvador-BA, em 1984. Disponíveis em: &lt;http://www.fotolog.com.br/rogercrudo/44099754&gt;   e  &lt;http://esquizofia.wordpress.com/2011/03/20/historias-das-musicas-brasileiras-27/&gt;.</p>
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