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Vídeo da Semana

Postado em: 04-07-2010 | Por: Leila Brito | Categorias: Filosofia, Fotos, Vídeos

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Nietzsche-5Friederich Wilhelm Nietzsche

Para o Prof. Dr. Oswaldo Giacóia Júnior, é impossível se colocar à altura dos principais temas e questões do nosso tempo sem entender o pensamento de Nietzsche, um dos pensadores mais provocativos da filosofia moderna, porque o impacto da sua filosofia “advém de sua extraordinária clarividência”. “Ele pressentiu, em estado de gestação, as ameaças mais fatais de nosso tempo. Anteviu o panorama sombrio que poderia advir do projeto sociopolítico de uma sociedade de massas. Nietzsche profetizou que a sociedade ocidental caminhava, desde então, para um nivelamento por baixo” (GIACÓIA JÚNIOR, 2000).

A obra de Nietzsche submete uma crítica impiedosa a todas as esferas da cultura e exige do homem moderno a tomada de consciência das possibilidades do seu saber e agir. Coloca questões que até hoje prosseguem conosco e que se tornam a cada dia cada vez mais necessárias para o resgate da dignidade das relações da vida e com as mais variadas formas de vida do planeta (GIACÓIA JÚNIOR, 2000).

No espaço de vídeo ao lado, é disponibilizada a segunda aula do curso Impacto de Nietzche no Século XX. Posicionamento da filosofia de Nietzsche no mundo atual. Crise dos valores, do Prof. Dr. Oswaldo Giacóia Júnior (Unicamp), que expõe didaticamente o pensamento de Nietzsche. Neste momento do curso, Giacóia comenta as idéias do respeitado filósofo alemão e a sua confrontação com o mundo contemporâneo, falando sobre a morte de deus – a morte dos absolutos ou do absoluto em suas várias formas.

Convido-o(a) a assistir ao vídeo (de curta duração), pois, como o anterior, ele acrescenta importante conteúdo aos dois artigos sobre Nietzsche publicados por esta professora e escritora.

LEILA BRITO
Belo Horizonte, 4 JUL 2010.

Ilustração:
Nietzsche fotografado por Voltaire Schilling.

Referências:
GIACÓIA JÚNIOR, Oswaldo. Nietzsche. São Paulo: Publifolha, 2000. 98 p.

Vídeo da Semana

Postado em: 28-06-2010 | Por: Leila Brito | Categorias: Filosofia, Fotos, Vídeos

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Nietzsche_olde_013NIETZSCHE (1899)

O importante a ser destacado na biografia de Friederich Wilhelm Nietzsche, é que apesar de ter nascido numa família luterana em 1844, estando, portanto, destinado a ser pastor como seu pai (que morreu jovem em 1899, aos 55 anos, junto com seu avô, também pastor luterano), rejeitou a fé durante sua adolescência, e se dedicou aos estudos de Filologia. Aluno brilhante, dotado de sólida formação clássica, aos 25 anos (1869) foi nomeado professor de Filologia na universidade de Basileia. Porém, em apenas dez anos (1879), seu debilitado estado de saúde obrigou-o a deixar a carreira de professor. Sua voz, inaudível, afastou os alunos. A partir de então, optou por uma vida errante em busca de um clima favorável tanto para sua saúde como para seu pensamento filosófico: Veneza, Gênova, Turim, Nice, Sils-Maria… Em suas palavras: “Não somos como aqueles que chegam a formar pensamentos senão no meio dos livros ‒ o nosso hábito é pensar ao ar livre, andando, saltando, escalando, dançando […]“.

Assim, é nesse incessante e salutar movimento, que Nietzsche estabelece uma ruptura no pensamento filosófico (que, no seu entendimento, negligenciou todos os temas humanos que deveriam ter sido tratados), ao satirizar a tradição do idealismo e da metafísica, transferindo a Filosofia para o humano, para o demasiado humano, refletindo sobre os homens tal qual eles são, e reivindicando a restituição de direitos que lhe foram banidos pela moral cristã, pelo idealismo e pela história.

Em sua filosofia, ao buscar a verdade de todas as coisas, Nietzsche esbarra na moral tradicional, e conclui que o problema da moral é, definitivamente, um problema da verdade, da conformidade à vontade de domínio enquanto essência de vida. Assim, Nietzsche vê na moral a problemática do domínio. Tudo o que se chamou moral, até então, nada mais é que um envenenamento da vida. E num combate aos valores dominantes, ele cria uma nova filosofia, com novos valores, fazendo da vontade de poder, da morte de deus e do eterno retorno, o esteio de sustentação do seu pensamento.

Em janeiro de 1889, quando vivia em Turim, Nietzsche sofreu um colapso nervoso. Como causa foi-lhe diagnosticada uma possível sífilis. Este diagnóstico permanece também controverso. Mas certo é que passou os últimos 11 anos da sua vida sob observação psiquiátrica, inicialmente num manicômio em Jena, depois em casa de sua mãe em Naumburg e, e finalmente na casa chamada Villa Silberblick em Weimar, onde, após a morte de sua mãe, foi cuidado por sua irmã até seu falecimento em 1900.

No espaço de vídeo ao lado, é disponibilizada a primeira aula do curso Impacto de Nietzche no Século XX. Posicionamento da filosofia de Nietzsche no mundo atual. Crise dos valores, do Prof. Dr. Oswaldo Giacóia Júnior (Unicamp), que expõe didaticamente o pensamento de Nietzsche. Neste momento do curso, Giacóia comenta as idéias do respeitado filósofo alemão e a sua confrontação com o mundo contemporâneo, expondo as diferenças entre niilismos ativo e passivo, e entre homem superior e além do homem.

LEILA BRITO
Belo Horizonte, 28 JUN 2010

Ilustração:
Nietzsche fotografado por Hans Olde, em jun./ago. 1899.

Referências:
BRITO, Leila. Nietzsche como crítico da cultura: a crítica ao cristianisno e ao socratismo. Belo Horizonte: Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, 2007. 8 f. Mimeografado.
BRITO, Leila. Nietzsche: o mundo como perspectivismo de forças. Belo Horizonte: Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, 2007. 62 f. Notas de aula.
WIKIPÉDIA. Friedrich Nietzsche. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Nietzsche>. Acesso em: 28 jun. 2010.

Vídeo da Semana

Postado em: 19-06-2010 | Por: Leila Brito | Categorias: Literatura, Vídeos

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O escritor português José Saramago dispensa apresentação da mesma forma que dispensa elogios a sua valiosa obra que reúne o que de mais rico e singular existe na expressão literária da Língua Portuguesa.

A morte de  Saramago, ocorrida nesta data, desperta nos amantes da Literatura um sentimento de profunda tristeza manifestada na mais justa admiração e no mais profundo respeito, tanto por sua refinada inteligência criativa como por sua aguda lucidez e seu imbatível senso crítico, que o conduziu à produção de uma obra literária acima de tudo denunciadora da podridão vigente entre os homens na forma de poderes destrutivos da lucidez humana, objetivando a alienação do homem e sua consequente dominação.

Sua aguçada visão crítica e sua personalidade desafiadora provocou diversas polêmicas. Assim, suas opiniões sobre religião e sobre a luta internacional contra o terrorismo resultaram em acusações de diversos quadrantes. Crítico feroz da Igreja Católica Apostólica Romana, classificou a Bíblia como um manual de maus costumes, provocando reações de protestos do Vaticano.

A propósito, citando Laerte Braga em sua crônica “O bloco do pau de arara e do choque elétrico”: Perguntaram a José Saramago por qual motivo continuava sendo comunista diante dos “crimes” de Stalin. Saramago respondeu de forma simples: “Por convicção ou alguém deixa de ser católico por conta dos crimes da Inquisição?”.

Quanto à posição de Israel no conflito contra os palestinos, caracterizado pela crueldade de um lento genocídio, numa visita a São Paulo, a 13 de outubro de 2003, em entrevista ao jornal O Globo, Saramago afirmou que os judeus  não merecem a simpatia pelo sofrimento por que passaram durante o Holocausto… Vivendo sob as trevas do Holocausto e esperando ser perdoados por tudo o que fazem em nome do que eles sofreram parece-me ser abusivo. Eles não aprenderam nada com o sofrimento dos seus pais e avós. A Anti-Defamation League (Liga Anti-Difamação – ADL), um grupo judaico de defesa dos direitos civis, caracterizou estes comentários como sendo anti-semitas.

Em defesa de Saramago, diversos autores afirmam que ele não se insurgiu contra os judeus, mas contra a política de Israel, como, por exemplo, num artigo publicado a 3 de Maio de 2002 no jornal Público, onde, comparando o atual conflito com a cena bíblica de David e Golias, o escritor diz que David, representando Israel, se tornou num novo Golias“, e que aquele “lírico David que cantava loas a Betsabé, encarnado agora na figura gargantuesca de um criminoso de guerra chamado Ariel Sharon, lança a “poética” mensagem de que primeiro é necessário esmagar os palestinianos para depois negociar com o que deles restar“.

Lendo este discurso apaixonado em defesa dos mais fracos, o que podemos concluir, neste momento em que Saramago deixa este mundo-cão, é que  a Humanidade perde hoje um de seus mais dignos e corajosos defensores.

No vídeo ao lado, apresentamos a reportagem de uma TV portuguesa sobre a morte do escritor, com flashs de uma entrevista concedida ao programa Última Hora, onde ele relata momentos importantes de sua vida e fala sobre sua obra.

LEILA BRITO
Belo Horizonte, 18 jun 2010

Ilustração:
Saramago clicado por fotógrafo desconhecido desta escritora.

Referência:
WIKIPÉDIA. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Saramago>. Acesso em: 18 jun. 2010.

Vídeo da Semana

Postado em: 09-06-2010 | Por: Leila Brito | Categorias: Filosofia, Literatura, Vídeos

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Ilustrando o ensaio “As mulheres preferem os tolos(?)”, post anterior, disponibilizo, no espaço de vídeo deste blog, uma aula ministrada pelo Prof. Dr. Roberto Schwarz contextualizando e analisando a obra de Machado de Assis, adentrando, inclusive, o tom político da crítica que o escritor faz à elite nacional em seus romances, no sentido de considerá-la inculta, alienada, preconceituosa, vulgar e meramente preocupada com a garantia da propriedade.

Schwarz exemplifica tal perfil criticado por Machado, equiparando-o ao da mesma elite brasileira que apoiou o Golpe de Estado de 64, esclarecendo que jamais se poderia esperar dessa classe social uma atitude de “mentores esclarecidos”, e sim de pessoas unicamente preocupadas com a preservação da posse de seus bens e com a possibilidade de enriquecerem ainda mais com o Regime Militar.

Crítico literário, professor aposentado de Teoria Literária da USP e um dos continuadores da obra de Antonio Candido, Schwarz redigiu estudos críticos sobre Machado de Assis elencados entre os mais representativos sobre o autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Sobre a tradição crítica a que se filia, o próprio Schwarz afirma que se impregnou muito dos livros e pontos de vista de Antonio Candido, e acrescenta: “Meu trabalho seria impensável, igualmente, sem a tradição – contraditória – formada por Lukács, Benjamin, Brecht e Adorno, e sem a inspiração de Marx.”

O vídeo é de curta duração e, por isso, não tomará muito do seu tempo. Sugiro, pois, que assista à essa magnifica aula do Prof. Schwarz que, sem dúvida, acrescenta informações valiosas sobre a incomparável produção literária do maior escritor brasileiro de todos os tempos.

LEILA BRITO
Belo Horizonte, 9 de junho de 2010.

Ilustração:
Foto de autor desconhecido desta escritora.

Referência:
WIKIPÉDIA. Roberto Schwarz. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Schwarz>. Acesso em: 9 jun. 2010

Vídeo da Semana

Postado em: 23-05-2010 | Por: Leila Brito | Categorias: Música, Política, Vídeos

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Ari Barroso2 Ary Barroso – Ubá-MG (1903-1964)

Ilustrando, com o merecido requinte, o poema Terra Nação, do poeta e músico-violonista-compositor Eugênio Britto, apresento, no espaço de vídeo deste blog (à direita), a mais bela canção brasileira de todos os tempos – AQUARELA DO BRASIL, do mestre Ary Barroso, arranjada e executada pelo Perpetuum Jazille – grupo de jazz e música popular eslovênio, e pelo BR6 – grupo vocal brasileiro, sediado no Rio de Janeiro, e formado por Crismarie Hackenberg (mezzo), Deco Fiori (tenor), Marcelo Caldi (tenor), André Protasio (barítono), Simô (baixo) e Naife Simões (Percussão Vocal).

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Ary Barroso é autor de centenas de composições em estilos variados, como choro, xote, marcha, foxtrote e samba. Entre outras canções, compôs Tabuleiro da Baiana (1937)  e Os Quindins de Yayá (1941), Boneca de Piche etc. Durante as décadas de 1940 e 1950  compôs vários dos sucessos consagrados por Carmem Miranda no cinema.  Ao compor Aquarela do Brasil inaugurou o gênero samba-exaltação.  O sucesso só aconteceu após sua inclusão no filme de animação Saludos Amigos, lançado em 1942, pelo Studio Disney. Foi a partir de então, que a canção ganhou reconhecimento não só nacional como internacional, tendo se tornado a primeira canção brasileira com mais de um milhão de execuções nas rádios estadunidenses. Assim, Aquarela do Brasil passou de simples canção a símbolo nacional brasileiro.

Auarela-Brasil

Agradeço ao amigo Professor de História e blogueiro Ricardo Moura Faria (Boletim Mineiro de História: <http://boletimmineirodehistoria.blogspot.com/>), pela colaboração com este post, enviando-me tão preciosa indicação de vídeo.

Senhoras e Senhores,  Aquarela do Brasil!

LEILA BRITO
Belo Horizonte, 23 maio 2010

Ilustração:
Autoria das fotos desconhecida desta escritora.

Vídeo da Semana

Postado em: 13-05-2010 | Por: Leila Brito | Categorias: Fotos, Política, Vídeos

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STF ABSOLVE TORTURADORES DA DITADURA

lamarca e Zequinha

Capitão Lamarca e Zequinha assassinados no sertão baiano

No regime ditatorial ocorrido no Brasil entre 1964 e 1985, agentes do Estado sequestraram, torturaram e mataram cidadãos que, resistindo à cassação dos direitos civis do povo brasileiro, enfrentaram o Governo Militar. O que se tem de ressaltar, neste contexto de crimes de lesa-humanidade, é que, mesmo em se tratando de uma DitaDURA, tais condutas dos agentes públicos eram ILEGAIS à época, em face das leis vigentes, e foram praticadas em substituição a qualquer rito de investigação, processamento e julgamento aplicáveis.

Ditadura - Vladimir Herzog, diretor de jornalismo da TV Cultura é torturado e assassinado por agentes do DOI-CODI em São Paulo.

Vladimir Herzog – torturado e assassinado no DOI-Codi/SP
(simulação de suicídio em foto para a imprensa)

Com base nessa arbitrariedade, a OAB, por intermédio do emérito jurista Fábio Konder Comparato, propôs ao STF uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 153) com vistas à revisão da Lei da Anistia (Lei nº 6683/79), propositadamente desvirtuada em seus termos legais e usada, também, para anistiar os torturadores, dando à tortura, estupros, sequestros, assassinatos, ocultação de cadáveres e desaparecimentos de pessoas a absurda conotação de crime político. O objetivo da OAB foi contestar a compatibilidade, a recepção, em termos jurídicos, da referida lei com a vigente Constituição Federal de 1988. Compatibilidade improvável, uma vez que a atual Carta Magna veda a tortura e a considera crime imprescritível.

Para o Professor Paulo Sérgio Pinheiro, no julgamento da Suprema Corte, cujo resultado final privilegiou a absolvição dos torturadores, não foi levada em conta a evolução da norma internacional, da prática acumulada das democracias e dos Judiciários no mundo em face de crimes cometidos por regimes de exceção e a exigibilidade de sua punição. Prevaleceu a contrafação histórica da Lei nº 6.683/79, como resultado de um grande “acordo político”, apesar de a conjuntura de 1979 ali descrita não bater com o que aconteceu, ou seja, não corresponder à verdade dos fatos.

Sônia Moraes - 462909Sônia teve os seios arrancados em sessão de tortura.

Segundo o citado professor: Foi inebriante o coro, com acentos gongóricos, de condenações à tortura. Pena que o clamor de justiça pela sociedade e pelos familiares dos desaparecidos, sequestrados, estuprados, torturados e assassinados pelos agentes da Ditadura não tenha sido levado a sério. Por zelo formalista, a maioria dos ministros jogou pá de cal no exame, pelo Judiciário, desses crimes. A execração da tortura soou farisaica, pois consagrou a impunidade dos torturadores e negou direitos e justiça às vítimas.

Para Criméia Almeida, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos de São Paulo, o resultado do julgamento era esperado: O Poder Judiciário tem a postura a favor da impunidade, afirmou. Segundo ela, a decisão de ontem faz o que o João Batista de Oliveira Figueiredo [último presidente militar, que assinou a Lei da Anistia] não teve coragem de fazer. O ex-presidente foi mais dissimulado. A lei não diz que estão anistiados quem cometeu crime comum.

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Diante do resultado catastrófico da votação do STF, pois contra a revisão proposta pela OAB (7 votos contra e 2 votos a favor), Comparato assim se expressou:  O Brasil é um país de duas faces. Lá no exterior, nós somos civilizados e respeitadores dos direitos humanos, sorridentes e cordiais. Por dentro, nós somos de um egoísmo feroz. [...] Isso é um escândalo internacional. Nós somos o único país da América Latina que não julgou inválidas essas anistias.

O jurista acredita que o Estado brasileiro será condenado, na Corte Interamericana de Direitos Humanos, por causa da prisão arbitrária, tortura e desaparecimento de 70 pessoas na Guerrilha do Araguaia, na década de 1970. O julgamento na Corte está previsto para os próximos dias 20 e 21 de maio.

Em repúdio à asquerosa (e suspeita) decisão dos 7 ministros que votaram a favor da absolvição dos torturadores da DitaDURA, o Chá.com Letras apresenta, no seu espaço de vídeo, o histórico discurso da ex-Ministra da Casa Civil e ex-militante da resistência ao regime militar Dilma Rousseff (numa dessas CPI’s criadas objetivando golpe de Estado), que, além de ter sido sequestrada, torturada e estuprada por agentes da DitaDURA, foi julgada e condenada a três anos de prisão (cumpriu pena), enquanto seus torturadores (e estupradores e assassinos de centenas de outros cidadãos brasileiros, muitos deles com corpos ainda não identificados e outros desaparecidos) foram simplesmente anistiados, com o ultrajante perdão de seus crimes de lesa-humanidade ora VERGONHOSAMENTE avalizados pelo Supremo Tribunal Federal. Tal decisão sinaliza que, por aqui, os Estados Unidos da América do Norte, através da CIA (apoiada por políticos e pela Grande Mídia – defensores dos interesses da elite nacional), continuam dando as cartas, como nos tempos da DitaDURA habilmente engendrada, implantada, implementada e patrocinada por eles.

LEILA BRITO
Belo Horizonte, 8 de maio de 2010

Ilustração:
Fotos de arquivos diversos expostas na Internet.

Vídeo da Semana

Postado em: 15-04-2010 | Por: Leila Brito | Categorias: Literatura, Vídeos

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CaioFernandoAbreu

Para falar do escritor Caio Fernando Abreu, cedo a palavra ao Professor Doutor Marcelo Secron Bessa, estudioso de sua densa e singular obra literária.

“Caio Fernando Abreu morreu, em decorrência de complicações da Aids, em 25 de fevereiro de 1996. Foi uma pena que ele tenha partido naquele momento. Afinal, a despeito do que comumente se pensa, quando se tem 47 anos ainda há muita coisa para viver, para ver, rever e transver. E, no caso de Caio, também ― e principalmente ― para escrever. Também foi uma pena que sua morte tenha ocorrido num momento profissionalmente tão especial quanto aquele. Desde o início da década de 1990, alguns de seus livros começavam a ser publicados em diversos países europeus, obtendo boa recepção. No Brasil, sua obra ganhava cada vez mais leitores e, finalmente, uma parcela da crítica e dos meios universitários que ainda eram indiferentes a ela começava a dedicar-lhe alguma atenção. Enfim, era um momento ímpar de sua carreira.”

Caio “via-se como uma figura um pouco atípica no campo das letras, sem ter onde se encaixar. No máximo, no plano literário, identificava certa afinidade e familiaridade com João Gilberto Noll, Sérgio Sant’Anna, Lya Luft e pouquíssimos outros. Além disso, Caio costumava reclamar de que a literatura brasileira era feita de bilhetes e telefonemas oportunos e que não tinha muita paciência para lobbies ou autopromoção. Avesso a esses contatos convenientes e a uma certa “diplomacia literária”, teria, desse modo, prejudicado a divulgação de sua própria obra”.

“Outro motivo que o fazia sentir-se à margem foi a utilização, em seus textos, de temas rotulados como malditos, que lhe valeram a alcunha de um escritor pesado e baixo-astral. “Eu não sou pesado, mas sim a realidade”, ele retorquia. Também falava de rock, astrologia, drogas e sexo, entregava-se sem receios à cultura pop, quando isso ainda era considerado uma heresia, tanto à direita como à esquerda, na literatura brasileira. “Na minha obra aparecem coisas que não são consideradas material digno, literário”, disse meses antes de falecer. “Deve ser insuportável para a universidade brasileira, para a crítica brasileira assumir e lidar com um escritor que confessa, por exemplo, que o trabalho do Cazuza e da Rita Lee influenciou muito mais do que Graciliano Ramos. Isso deve ser insuportável. Isso não é literário. E eu gosto de incorporar o chulo, o não-literário”.

“Na literatura, Caio também foi polivalente: escreveu narrativa infanto-juvenil, crônicas, contos, novelas, romances e peças. Entretanto, isso não significa inconstância ou imaturidade artística. Ao contrário, atesta seu hábil manejo da palavra e um bom conhecimento dos gêneros. Como confirma o diretor teatral Luiz Arthur Nunes, seu parceiro na vida e no teatro, ele não se aventurou na literatura dramática por brincadeira: “Caio era um dramaturgo de fato e não um narrador por diletantismo pondo em diálogo suas histórias. Ele sabia e dominava a diferença de gêneros”.

“No entanto, foi como contista que Caio se destacou e ficou conhecido. Aliás, livros de contos são a maioria entre os títulos de sua obra. [...] Talvez circunstâncias de sua vida tenham sido responsáveis pela adoção do conto como sua principal forma de expressão literária. Um desses motivos seria a vida quase nômade que levou durante muitos anos, de cidade em cidade, país em país.”

“Seus contos apresentam ainda outra peculiaridade. Quando Maria Adelaide Amaral comentou as crônicas publicadas durante anos no Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo, ela as classificou como “perturbadoras”, nas quais Caio teria fixado “a época, o zeitgeist dos anos 1980, o permanente e o passageiro, modas e eternidades”. De certa forma, a mesma afirmação pode ser estendida aos seus contos: também fixaram épocas, modas e eternidades, personagens célebres e anônimos. Embora não sejam textos documentais, os contos apresentam um quê de retrato de época, uma espécie de registro ficcional, por um viés bem peculiar, das últimas quatro décadas. Não é à toa que, ao falar de si mesmo, Caio gostava de repetir um epíteto que lhe deram: biógrafo das emoções contemporâneas”.

“De resto, fica uma observação. As histórias de Caio ― de amor ou não e até mesmo aquelas consideradas pesadas, chulas e tristes ― parecem lembrar que a vida, apesar dos pesares, ainda vale a pena ser vivida, como sugere o título do conto “Morangos mofados”. O fim desse conto (”Frescos morangos vermelhos. Achava que sim. Que sim. Sim.”) [...] De certa forma, não só o conto “Morangos mofados”, mas também toda a obra de Caio, mesmo considerada “pesada” e “baixo-astral”, parecem dizer isso. Mesmo que estejam mofados, sugere o escritor, os morangos continuam sendo morangos. Em outras palavras, Caio Fernando Abreu nos lembra em seus textos que a vida ― apesar de, às vezes, ser dolorosa e um tanto cruel ― continua sendo a vida. A (ainda) nossa vida)”. (BESSA, 2006).

No espaço de vídeo, ao lado (<http://www.youtube.com/watch?v=DDH1baGEfIQ>), o próprio escritor se apresenta e fala de sua vida “nômade” por países da Europa; fala de política (”O Brasil não precisa muito de escritores. O Brasil precisa de arroz e feijão. Parece que os políticos brasileiros nunca foram no botequim da esquina; parece que nunca viram um mendigo dormindo no chão. Fica uma coisa de ponta estender um pouco para a Revolução Francesa. É um escândalo!”); acusa Rachel de Queiroz, em entrevista no Roda Viva, de ter colaborado com o Governo da Ditadura, e dá um chega pra lá nela espetacular!; e fala da Aids e do preconceito contra a doença, e sobre a consciência de que, com a proximidade da morte (”a espada suspensa”), a vida fica muito mais rica. Enfim, o escritor mostra sua face singular de pessoa e artista da palavra.

LEILA BRITO
Belo Horizonte, 15 ABR 2010

Referência:
BESSA, Marcelo Secron. Prefácio. In: ABREU, Caio Fernando. Melhores Contos. São Paulo: Global, 2006.

Ilustração:
Caio Fernando Abreu fotografado por autor desconhecido desta escritora.

Vídeo da Semana

Postado em: 03-04-2010 | Por: Leila Brito | Categorias: Música, Política, Vídeos

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Geraldo Vandré
Na esteira do artigo sobre o PODER em Michel Foucault, o Chá.com Letras homenageia o mito Geraldo Vandré, um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos, já que autor da mais conhecida música de protesto da história da Música Popular Brasileira, pois considerada um verdadeiro hino da resistência ao regime político instituído pela DitaDURA Militar (1964-1985).

Aclamado pelos jovens idealistas dos Anos de Chumbo e dos Anos de 1990, década da redemocratização do país, Geraldo Vadré tornou-se o íncone de uma juventude politizada e participativa que, hoje, infelizmente, foi substituída por uma juventude politicamente alienada e apática. A bem da verdade, jovens gerados no seio de um sistema de repressão ao desenvolvimento humano, engendrado por um modelo de educação formal castrador da capacidade de formação e exercício do senso crítico, instituído pela Lei 5692/1971, relativa a uma Reforma de Ensino implantada pelo MEC do Governo Militar que, pautada nos objetivos espúrios da dominação política, desumanizou a educação no Brasil – um dano que levaria décadas para ser completamente extirpado do seio social.

Nascido Geraldo Pedroso de Araújo Dias Vandregísilo, em João Pessoa-PB, em 12/09/1935, não foi à toa que Vandré abalou os alicerces do Governo Militar, em 1968 (ano da instituição do AI5), durante o III Festival Internacional da Canção, ao entoar, e ser seguido em coro pelo público que lotava o Maracanãzinho, o refrão da canção Pra não dizer que não falei das flores: “Vem vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer”.

vandre em Paris

Em decorrência do incômodo provocado nos militares, conforme seu próprio depoimento, Vandré se autoexilou no Chile, em 1969, receoso das possíveis consequências da sua provocação política, já que afrontar a DitaDURA era sinônimo de perseguição, prisão, tortura e assassinato, que foram muitos (com desaparecimento de corpos que, até a presente data, ou não foram encontrados ou não foram identificados). E tudo isto, a despeito de, recentemente, o Jornal Folha de São Paulo ter qualificado o dito regime político como uma simples DitaBRANDA.

Vale registrar aqui, que tal “abrandamento” gentilmente atribuído pelo jornal FSP, não é de se estranhar, uma vez que, junto daquele que sempre se disse sem nunca ter sido jornalista Roberto Marinho – proprietário das Organizações Globo, o senhor Octavio Frias era (e hoje é substituído nesses ideais pelo seu herdeiro) um fiel aliado e colaborador dos militares, como atesta o jornalista e articulista Laerte Braga (2009): “A FOLHA só fez disparar a metralhadora, ou entregar a navalha por baixo dos panos, ou dar a dica. Lá estão acostumados com esse tipo de negócio, na Ditadura seus caminhões eram parte do esquema Fleury, OBAN, essas coisas assim de ditaduras”. É, pois, fato comprovado, que muitos dos suspeitos de subversão ao regime e dos corpos de “subversivos” torturados e mortos nas dependências do DOP’s, em São Paulo, foram transportados nos caminhões baús dos jornais Folha de São Paulo e Folha da Tarde.

GERALDO_VANDRÉ-HOJE

Um desses torturados é, sem dúvida, Geraldo Vandré, para cuja ausência definitiva da cena musical brasileira, aventou-se duas justificativas: a primeira, mais difundida, de que fora preso, torturado, castrado e, consequentemente, enlouquecido; a segunda, de que fizera acordo com os órgãos de repressão na sua volta e, para tanto, compusera Fabiana, em homenagem a FAB.  Porém, informações confiáveis do jornalista Tato de Macedo dão conta de que a primeira opção é a correta. Segundo ele, “depois de ser torturado, vilipendiado, humilhado, Vandré foi internado numa clínica de recuperação. Não se suicidou por pouco, mas se isolou do mundo. Desse mundo (imundo) que os reacionários insistem em defender”.

Constata-se, pelo teor de suas falas em entrevistas, pontuadas por incoerências e absurdos, o trauma sofrido com a tortura:  1 – “Caminhando não era uma canção política. Era um aviso aos militares: ‘Olha gente, desse jeito não dá mais’. Eles (militares) nunca tocaram um dedo em mim.”; 2 – “Quando voltei do exílio, no final de década de setenta, meus companheiros me receberam com decepção, porque eu estava vivinho da silva, e eles me queriam mártir e morto. Seria para eles mais uma bandeira. E eu voltei doente e meio perdido em meu país, quando justamente os militares me acolheram e me deram tratamento médico, e me alojaram“. Importante observar que os amigos sempre souberam que ele estava vivo, e que ele voltou ao Brasil no início da década de 70, e não no final, como afirma na entrevista.

Pelo fato de ele ter regressado ao Brasil em 1973, com o Regime Militar atuando violentamente sob a égide do AI5, tem toda lógica a denúncia de que ele foi preso e vilmente torturado. Por que os militares seriam maguinânimos com um artista que teve a ousadia de enfrentá-los publicamente? Há que se considerar que o comportamento dele no exílio foi totalmente coerente com o Vandré compositor de Pra não dizer que não falei das flores, ao contrário do modo de agir algum tempo depois que regressou ao Brasil, pois totalmente alheio ao que antes era sua razão de viver: a música brasileira, sobre a qual, em 2004, emitiu essa opinão incompreensível: “Quase não a conheço, ouço mais música erudita, isso me interessa.”(?).

Tal quadro pessoal é confirmado por Celso Lungaretti (2009): “Reencontrei Vandré por volta de 1980 [...] Reparei que ele continuava lúcido, ao contrário das versões de que teria ficado xarope por causa das torturas. Mas, perdera a concisão e clareza. Seus raciocínios faziam sentido, mas davam voltas e voltas até chegarem ao ponto. Para entender a lógica do que ele dizia, eu precisava ficar prestando enorme atenção. Era exaustivo. [...] O mais importante que ele disse: estaria na mira de organizações de extrema-direita, inconformadas com o gradual abrandamento do regime. A censura finalmente liberara “Caminhando”, que fazia sucesso na voz de Simone. Vandré explicou que tinha de passar-se por louco pois, se ele tentasse voltar ao estrelato junto com a música, seria assassinado. [...] A minha impressão é que, nordestino e machista, ele não aguentou admitir que fora quebrado pela tortura e pelos rigores do exílio. Então, preferiu desconversar, embaralhar as cartas, descaracterizar-se como ícone da resistência. Enfim, um caso que só Freud conseguiria explicar (e esgotar). De qualquer forma, aquele artista que tanto admiramos foi assassinado pelos déspotas, da mesma forma que Victor Jara e Garcia Lorca. Sobrou um homem sofredor, que merece nossa compreensão.”.

No vídeo ao lado, vê-se cenas de protesto público contra a morte de um dos heróis da resistência à DitaDURA Militar e, também, cenas da frustrada tentativa de atentado à bomba ao Riocentro, no dia 30 de abril de 1981, pelo Governo Militar, por agentes do CIE e SNI (o objetivo era matar centenas de cidadãos que assistiam ao show comemorativo ao Dia do Trabalhador), tendo ao fundo a pungente voz de Vandré entoando Pra não dizer que não falei das flores.

Importante lembrar que o Povo Brasileiro não está livre de um novo golpe militar como o de 1964, engendrado pela CIA, a mando do governo dos USA e incentivado por representantes da Igreja Católica Apostólica Romana (quem não se lembra da Marcha com Deus pela Liberdade?), sob a  cumplicidade de uma apolitizada e ignorante sociedade civil, manipulada, através da Grande Mídia venal, por um propositado terrorismo de ameaça da instalação do Comunismo no Brasil, caso o Presidente João Goulart permanecesse no governo. Trata-se do mesmo argumento que a Grande Mídia de hoje está pregando nos seus jornalões (só que substituindo o Comunismo pelo Socialismo, como recentemente ocorrido no Golpe de Estado em Honduras), ao combater o Governo Lula e a sua candidata, a ex-militante da resistência ao Regime Militar de 1964 e ex-Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, presa e torturada por mais de três anos nos porões da DitaDURA. Portanto, uma sobrevivente do regime de chumbo.

Que a bela canção de Vandré e as cenas de violência dos militares da DitaDURA contra os cidadãos brasileiros mostradas no vídeo nos alertem para o perigo iminente de um novo Golpe de Estado, neste momento em que os líderes da mesma elite opressora de 1964 ‒ a extrema-direita reacionária do país (inclui-se nela a Grande Mídia) ‒ representados pelo candidato José Serra, querem de volta o poder perdido há oito anos para o atual governo, “acusado” por ela de socialista, equivocadamente, uma vez que empreendedor de uma indiscutível política neoliberal ‒ uma contradição prontamente assimilada por Vandré:

O povo no poder! Então o povo deve estar feliz e satisfeito. Mas não é bem assim, não é essa a realidade. O Lula faz o governo menos popular que já vi, e era dele que esperava-se um mandato voltado para o povo. Veja só que loucura, não acha? O problema do Brasil é na sua conjuntura,seus vícios homéricos e a falta de cultura de sua gente. Os políticos não têm interesse em educar, para não dar consciência política, percebe?! Não está diferente com o Lula, até porque eles venderam a alma para chegar ao poder, e suas boas intenções ficaram no discurso (GERALDO VANDRÉ, 2004).

LEILA BRITO
Belo Horizonte, 3 ABR 2010

Ilustrações:
Foto 1 – Vandré no Festival de 1968 – do Almanaque Jovem.
Foto 2 – Vandré em um bar na França com amigos, em 1970 – da matéria de Vitor Nuzzi.
Foto 3 – Vandré no Brasil, na década de 1990 – Foto de Mário Luiz Thompson.

Referências:
ANÍSIO, Ricardo. Geraldo Vandré. Jornal O Norte. 1 fev. 2004. Disponível em: <http://www.ritmomelodia.mus.br/entrevistas/entrev%202004/02%20geraldovandre/geraldovandre.htm>. Acesso em: 3 abr. 2010.
BRAGA, Laerte. O poderoso chefinho. Vi o Mundo. 29 nov. 2009. Disponível em: <http://viomundo.naweb.net/voce-escreve/laerte-braga-o-poderoso-chefinho/>. Acesso em: 4 abr. 2010.
CARDOSO, Tom. Geraldo Vandré rompe o silêncio. Clique Music. 28 jul. 2000. Disponível em: <http://cliquemusic.uol.com.br/materias/ver/geraldo-vandre-rompe-silencio>. Acesso em: 3 abr. 2010.
LUNGARETTI, Celso. O Vandré que eu conheci. CMI Brasil. 23 mar. 2009. Disponível em: <http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/03/443234.shtml>. Acesso em: 4 abr. 2010.

Vídeo da Semana

Postado em: 24-03-2010 | Por: Leila Brito | Categorias: Filosofia, Política, Vídeos

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Michel-foucault

Michel Foucault é o filósofo que mais profundamente renovou a figura do pensamento: “pensar é sempre experimentar, não interpretar, mas experimentar, e a experimentação é sempre o atual, o nascente, o novo, o que está em vias de se fazer” (DELEUZE, 1998, p. 132). Assim, “a Filosofia é trabalho crítico do pensamento sobre si mesmo” (FOUCAULT apud CHAVES, 1988, p. 14).

Para Foucault, o objetivo principal do pensamento crítico deveria ser o de “imaginar e construir o que poderíamos ser”, para nos libertarmos da “individualização e totalização simultâneas das estruturas do poder moderno”. Desta forma, “temos de promover novas formas de subjetividade ao recusar o tipo de individualidade que nos foi imposta durante vários séculos” (FOUCAULT, 1982 apud CALVET, 1997, p. 55).

A partir de Foucault, a Filosofia pode ser considerada a política imanente à história e a história indispensável à política. Na opinião de Deleuze e Parnet (1977), trata-se de um filósofo que consegue com a história uma relação completamente diferente dos historiadores. A história, tal como Foucault a pensa, escreve Deleuze, “nos cerca e nos delimita; não diz o que somos, mas aquilo de que estamos em vias de diferir”, ou seja, a história “não estabelece nossa identidade, mas a dissipa em proveito do outro que somos”. Em Foucault a história “é o que nos separa de nós mesmos, e o que devemos transpor e atravessar para nos pensarmos a nós mesmos” (Deleuze 1988, p. 119, apud CALVET, 1997, p. 30).

Anunciando o artigo intitulado O “poder” segundo Foucault, desta escritora, o Chá.com Letras disponibiliza, no espaço de vídeo (barra fixa à direita) a primeira parte – 1/3 – da entrevista de Foucault sobre Filosofía y Psicología, com legenda em espanhol. As outras duas partes são encontradas nos endereços do Youtube: 2/3 – http://www.youtube.com/watch?v=nz0AYpwK8Ds&feature=related ; e 3/3 – http://www.youtube.com/watch?v=wC_4B3uWl8Y&feature=related .

Senhoras e Senhores, com vocês… o filósofo Michel Foucault!

LEILA BRITO
Belo Horizonte, 24 MAR 2010

Referências:
CALVET, Teresa. A filosofia como discurso da modernidade. Ética e Filosofia Política, v. 2, n. 1, p. 26-64, 1997.
CHAVES, E. Foucault e a psicanálise. Rio de Janeiro: Forense, 1988.
DELEUZE, G.; PARNET, C. Dialogues. Paris: Flammarion, 1977.
DELEUZE, G. Conversações 1972-1990. Tradução de Peter Päl Pelbart. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992.
DELEUZE, G. Michel Foucault. Magazine Littéraire, n. 257, set 1988. Entrevista concedida a Raymond Bellour e François Ewald.

Ilustração:
Foto de autor desconhecido desta escritora.

Vídeo da Semana

Postado em: 05-03-2010 | Por: Leila Brito | Categorias: Música, Vídeos

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yoko1
O Chá.com Letras, rendendo uma homenagem especial à MULHER, pelo  seu dia, disponibiliza, no seu espaço de vídeo  (barra fixa à direita), a bela canção WOMAN, do incomparável John Lennon:

http://www.youtube.com/watch?v=PnayXShG73w

WOMAN
MULHER
John Lennon

Mulher, eu quase não consigo expressar
Minhas emoções confusas na minha negligência.
Afinal de contas, estou eternamente em dívida com você.
E, mulher, eu tentarei expressar
Meus sentimentos interiores e gratidão
Por me mostrar o significado do sucesso.

Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo.
Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo.

Mulher, eu sei que você compreende
A criancinha dentro do homem.
Por favor, lembre-se: minha vida está em suas mãos.
E, mulher, mantenha-me próximo do seu coração
Por mais que [estejamos] distantes,
não nos mantenha separados.
Afinal de contas, está escrito nas estrelas…

Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo.
Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo,
Bem…

Mulher, por favor deixe-me explicar:
Eu nunca tive intenção de te causar tristeza ou dor.
Então, deixe-me te dizer de novo e de novo e de novo:

Eu te amo, sim, sim,
Agora e eternamente.
Eu te amo, sim, sim,
Agora e eternamente.
Eu te amo, sim, sim,
Agora e eternamente.
Eu te amo, sim, sim…

Salve 8 de Março de 2010!

Ilustração:
John Lennon e Yoko Ono – Amsterdam Hilton (1969)
Foto de autor desconhecido desta escritora.